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PRESIDENTE BUSCA PROTAGONISMO NA PANDEMIA

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Para viabilizar a iniciativa, Bolsonaro decidiu marcar um encontro. No final da manhã de quinta-feira, disparou telefonemas para Fux, Pacheco e para o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). A medida, na avaliação de auxiliares palacianos, é uma forma de o presidente tentar retomar protagonismo no combate à pandemia, já que sua postura contrária às medidas de isolamento social impactaram sua aprovação popular. A ideia de Bolsonaro é liderar o gabinete de crise, fazendo uma espécie de contraponto ao movimento de governadores e prefeitos, que têm promovido articulações paralelas com o Legislativo e o Judiciário. O aceno de Bolsonaro a Pacheco ocorre no momento em que o país soma quase 288 mil mortos por Covid-19, e movimentos sociais e partidos de oposição pressionam Pacheco a instaurar comissão para investigá-lo. Nesta quinta, Bolsonaro tentou fazer uma deferência pública ao presidente do Senado em visita ao Congresso. Ele entregaria pessoalmente as medidas provisórias que tratam da nova rodada do auxílio emergencial, mas a ida foi cancelada em decorrência da morte de Olímpio. Diante da possibilidade de uma intensificação dos pedidos para abertura da comissão, Bolsonaro decidiu encabeçar as tratativas para criar o comitê, após observar Legislativo, Judiciário e governadores estabelecerem medidas para enfrentar a pandemia de Covid-19. No início do mês, Lira propôs a implementação de um grupo de trabalho com representantes dos governos federal e estaduais, do Legislativo e dos ministérios da Saúde e das Relações Exteriores. A estrutura serviria para monitorar a pandemia e a compra de vacinas no país. Na Câmara, o fantasma de uma CPI está mais distante. Lira já declarou em algumas ocasiões que é contra a abertura do processo por temer criar instabilidade em um momento em que os Poderes deveriam se unir, em vez de apontar culpados. Na reunião da próxima quarta-feira, serão discutidas medidas de enfrentamento à pandemia, auxílio emergencial, um pacote de socorro a pequenos empresários e a possibilidade de um novo Orçamento de guerra -hipótese rejeitada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, mas vista como uma forma de ampliar gastos e melhorar a resposta à crise sanitária. Enquanto alguns temas já estão pacificados, outros ainda geram controvérsia. A tentativa de ressuscitar um Orçamento de guerra encontra resistência não só dentro da equipe econômica, mas também dentro do Congresso. “O país não aguenta uma aventura fiscal. Claro que todos nós queríamos dar mais à população, ampliar o Orçamento de guerra, dar um auxílio maior, mas o preço no médio e longo prazo o país não consegue suportar e será ainda mais trágico para os mais pobres”, afirmou à reportagem o vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL-AM). O comitê se alinha a outro objetivo político de Bolsonaro: isolar os governadores. Nesta sexta, o presidente entrou com uma ação no STF contra regras de governadores de combate à Covid-19 e pedindo a suspensão de decretos adotados pelo Distrito Federal, Bahia e Rio Grande do Sul. Apesar da adesão da cúpula do Congresso, parlamentares acreditam que a iniciativa possa ter vindo tarde demais e seguem pressionando pela instalação da CPI.

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