Política
FAMÍLIAS ÀS MARGENS DO CANAL DO SERTÃO NÃO ACESSAM ÁGUA
Falta de uma política hídrica para atender ao sertanejo é condenada por parlamentares na Assembleia Legislativa
Os 120 quilômetros de Canal do Sertão garantem vazão de 36 m³/s e o governo de Alagoas não investe R$ 1 para esta água chegar na casa dos produtores rurais. Nem as famílias que vivem à margem do canal tem acesso, lamentou o deputado Davi Maia (DEM) ao afirmar que “não existe uma política hídrica para atender o sertanejo”.
Afirmou ainda que o governo realizou a concessão da outorga dos serviços de distribuição de água e coleta de esgoto da região metropolitana que rendeu R$ 4,6 bilhões.
Deste montante, R$ 2,6 bilhões serão investidos nos 13 municípios da região metropolitana e o restante dos R$ 2 bilhões “o governo vai gastar como bem entender: com propaganda, com comunicação, com o projeto Pró-estrada que passa asfalto em cima de paralelepípedo e outras atividades que não resolvem o problema do abastecimento de água no sertão nem o desenvolvimento futuro do estado”, criticou.
Para piorar, “a Casal quebrou e a gestão é desastrosa”. Como prova, Maia citou o presidente da Associação dos Municípios e prefeito Cacimbinhas, Hugo Wanderley (MDB), aliado do governo Renan Filho, pedindo a saída do presidente da Casal.
Com relação a outorga da concessão da distribuição da água, coleta e tratamento do esgoto na região metropolitana, Davi Maia explicou que o lucro de R$ 2 bilhões deveria ser aplicado na melhoria do sistema da distribuição de água no sertão. “Lamentavelmente o atual governo não tem interesse em resolver o abastecimento do semiárido”.
PIAÇABUÇU
Outro parlamentar que recebe pedidos de socorro dos sertanejos de Batalha e Major Izidoro é o deputado Cabo Bebeto (PTC). “A crise hídrica já chegou até nos municípios da foz do rio São Francisco. A população está sem água potável”. Segundo o deputado, as bombas dos poços da região estão sempre com problemas. A situação piora quando o nível do rio baixa e as bombas não “puxam”. Falta manutenção e uma das regiões mais prejudicadas é Piaçabuçu, onde a população consome água salobra. Bebeto quer que parte do dinheiro da “privatização” da Casal seja investida também nas situações críticas das cidades com problemas no abastecimento de água. “A gente tem muita água no sertão, o governo se livrou do saneamento da região metropolitana e agora tem que investir no saneamento das outras cidades”, afirmou.
DEFESA
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A bancada governista articula uma reunião com o presidente da Casal, Clécio Falcão, para entender as divergências entre os prefeitos da região, a carência da demanda de água no sertão e a falta de investimento num momento que o governo Renan Filho (MDB) fatura mais de R$ 6 bilhões com a concessão (privatização) do serviço de distribuição de água, coleta e tratamento de esgoto em 13 municípios da região metropolitana e empréstimos nacionais e internacionais. O líder do governo na Assembleia Legislativa, deputado Sílvio Camelo (PV), disse que o governo pretende investir R$ 2 bilhões da outorga no saneamento dos municípios, a partir de julho. Assegurou que o governo e a Casal tem planejamento para investir em primeiro momento na região metropolitana. Para o sertão e agreste e outras regiões há outro planejamento que prevê novo leilão semelhante ao feito na região metropolitana. “O que está atrapalhando é o agravamento da pandemia”, justificou Camelo.