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BANCADA: FALA DE LIRA REFORÇA INDEPENDÊNCIA DOS PODERES

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Discurso de Arthur Lira na Câmara pressionou o governo federal a reagir na pandemia
Discurso de Arthur Lira na Câmara pressionou o governo federal a reagir na pandemia -

A repercussão da fala do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP/AL) que citou “remédios políticos amargos” para enfrentar a atual crise sanitária envolvendo a saúde, sua gestão e a repercussão nacional foi pequena. Pelo menos entre a bancada federal alagoana. Ao contrário do impacto nos bastidores políticos do país, para dois dos nove deputados que representam o Estado ele destacou a importância da independência dos poderes. Pelo menos essa foi a leitura do experiente deputado Marx Beltrão (PSD). Ex- ministro do Turismo, tendo convivido com três presidentes da República, incluindo uma afastada por impeachment, ele evitou espalhar brasa da “fogueira” das especulações. “Acredito que o presidente da Câmara fez uma defesa da independência dos poderes e em prol do combate à pandemia. O papel do Legislativo é também fiscalizar o Executivo e isto é natural e inerente ao regime democrático”, disse Marx. Para ele, muito mais que uma “ameaça”, como querem dar a entender algumas reportagens, Lira teria apenas reafirmado a posição relevante da Casa, diante da angustia e os números crescentes de contaminados, internados e vítimas. Isto porque como reflexo da situação, há também uma cobrança da opinião pública, sugerindo que existe um silêncio dos poderes em relação as ações do Executivo.

TENSÃO

Para a coordenadora da banca federal, deputada Tereza Nelma (PSDB), o recado tem endereço e não passa pelos governadores já que são os que estão enfrentando a crise pandêmica diretamente. Por outro lado, avalia que o pronunciamento, devidamente escrito foi previamente pensado e articulado. “Mas o certo é que o aviso do deputado Arthur Lira, escrito, pensado, não deve representar apenas um desabafo pessoal. Ele é muito profissional para isso. Acho que revela a elevação crescente da tensão entre o centrão e parte do empresariado, com o presidente Jair Bolsonaro. Não conheço em detalhes os entendimentos entre eles para assumirem a defesa do governo. Mas não é possível varrer sob o tapete 300 mil mortes sem uma resposta concreta, com as dificuldades visíveis para trocar um ministro incompetente da saúde, isolado internacionalmente por uma política rejeitada, e ter como proposta apenas organizar um comitê gestor de combate ao Covid. Claro que abala qualquer acordo”, ponderou Tereza. Do ponde de vista político, ela lembra que se o “Centrão”, como são chamados os partidos sem extremos, não conseguiu mudar o direcionamento do governo, também pode e teme ser cobrado pelo apoio político articulado no início do ano. Ela lembrou que a Casa, com sua pluralidade e caixa de ressonância da sociedade conta com “meia centena de requerimentos de impeachment”. Ela concordou com o que disse Lira, ao se referir a necessidade de no momento ao invés de se elevar tensões o momento é de encontrar soluções concretas. Segundo Tereza, isso envolve vários aspectos do governo, dentro e fora do país, uma vez que internacionalmente o país não desenvolveu nenhuma cooperação, além de enfrentamentos internos desnecessários. Lembrou ainda que desde que chegou à Brasília tem feito pronunciamentos defendendo uma “frente ampla” com partidos para lidar com a crise. “Já vazou para mídia que até o PT e PSDB podem tentar uma aproximação”, o que seria impensável até bem pouco tempo, acrescentou a parlamentar. “As pesquisas responsáveis mostram as consequências de um governo derretendo, isolado internacionalmente, com gravíssimos problemas de desemprego, e que zombou das mortes do Covid. O apoio popular de Bolsonaro despencou a 22 por cento. Em alguns aspectos, 56% da população considera que ele não tem condições de promover o desenvolvimento nacional. Isso é um peso enorme, tanto para o presidente da Câmara como do Senado, que assumiram o compromisso com o país de encontrar saídas constitucionais”, concluiu a tucana à Gazeta. Seu colega de partido, o deputado federal Pedro Vilela (PSDB), também foi procurado por meio de sua assessoria, mas até o fechamento desta edição não havia se pronunciado. Sérgio Toledo (PL) disse por meio de sua assessoria que se pronunciaria “mais à frente”, sem definir detalhes sobre em que momento isso se dará. Severino Pessoa (Republicanos), Nivaldo Albuquerque (PTB) e Isnaldo Bulhões (MDB) não foram localizados.

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