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ALE SEGUE EXCLUÍDA DO ENFRENTAMENTO À COVID-19 NO ESTADO

Legislativo cobra mais protagonismo no combate ao coronavírus juntamente com o governo do Estado

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Jó Pereira lembra que são os deputados que estão sempre mais próximos da população
Jó Pereira lembra que são os deputados que estão sempre mais próximos da população -

Uma semana depois de anunciar medidas mais duras para conter o avanço da pandemia de Covid-19, mas afetando frontalmente a circulação de pessoas no comércio, shoppings e bares/restaurantes, o governador Renan Filho (MDB) segue sem diálogo com a Assembleia Legislativa Estadual (ALE). Na prática, se relaciona com a Casa como coadjuvante de suas ações, mas tirando-a do protagonismo de decidir em conjunto. E um exemplo de que a Casa está em sintonia com seus desafios diante da crise sanitária foi a aprovação da obrigatoriedade do uso de máscaras. Entretanto, sem deixar claro quais “punições existirão” para quem não usá-las. Foi a segunda vez em que ficou claro que não houve diálogo prévio com a Casa, que devolveu a matéria sem uma definição. Quem primeiro mostrou insatisfação com o modo do governo agir, sem buscar amplas opiniões foi a deputada Jó Pereira (MDB), do mesmo partido de Renan Filho, que vota com sua base, mas que tem postura independente na ALE. Em tom crítico chegou a expressar sua opinião num pronunciamento firme, há duas semanas. Procurada pela reportagem para avaliar o que esse distanciamento representa, ela reafirmou que limita o alcance das ações e até mesmo sobrecarrega a responsabilidade do Executivo, que poderia ser compartilhada com os demais setores da sociedade. Isto, porque, a ALE representa o seu pluralismo. “Aquele pronunciamento busca exatamente isso, o diálogo produtivo entre todos, principalmente entre o Legislativo e o Executivo. Veja agora no caso das vacinas e das máscaras, o diálogo proporcionou rapidez e acertos. É isso que venho cobrando desde o inicio da pandemia. Agora, na recente grande reunião do governo federal, onde se estabelece um comitê, com a presença de todos, e principalmente do Legislativo, a tendência é de muitos acertos. Eu até gosto de imaginar, neste gesto do governo federal, uma “meia volta volver” com relação às muitas posições diferentes em relação às necessidades no combate a pandemia que o governo federal vinha tomando e, com certeza, trazendo insegurança e perda de energia no combate a essa difícil crise sanitária e econômica”, analisou Jó. Para a deputada, a multisetorialidade e contribuição diversa ajudaria até mesmo no processo de antecipação de ações, uma vez que a troca de experiências indica caminhos. Ajuda a antecipar necessidades. Como exemplo citou o que aconteceu com o próprio decreto governamental que teve que rever a questão do transporte de pessoas e necessidade de uma quantidade mínima ser autorizada, sob pena de deixar alguns municípios literalmente ilhados. “Quem tem o instrumento de execução é o governo, mas o parlamento está no dia a dia do povo, pois somos seus representantes. Sabemos, por exemplo, que os pequenos comerciantes precisam das secretarias de Tecnologia, da Fazenda, Desenvolvimento, junto com órgãos como Sebrae e os setoriais, para elaborar sistemas de logística visando o e-commerce, como também apoio às pessoas desempregadas, por meio de isenções fiscais nas compras de motos, bicicletas, box térmicos, capacetes e acessórios de segurança para eles poderem atuarem junto as já existentes empresas de aplicativos”, analisou Jó. Demonstrando conhecimento também sobre microeconomia, ela lembra que o comércio setorizado em bairros também poderia ter sido melhor discutido com alternativas próprias que garantissem o seu funcionamento, em detrimento do movimento de grandes empresas, que muitas vezes com maior e melhores condições acabam ultrapassando esses limites. “Fomentar essa atividade através de empréstimos subsidiados, com aval do próprio comércio, a pessoas que desejam atuar como entregador, na montagem de delivery próprio do disk lojinha ou bairro. Isso a Desenvolve poderia ter lançado para aquecer o comércio dos bairros da capital e do interior”, completou a deputada. Essas e outras articulações poderiam ter sido debatidas ao longo do ano passado, quando todos estavam se permitindo buscar saídas criativas para não deixarem os negócios ruírem. Jó lembra que havia proposto um grupo de discussão, ao qual chamou de “Comitê Primavera”, no início da pandemia. Na prática era uma forma de unir forças para todos saírem fortes, mesmo na crise. Claro que existiram perdas, mas também haveria remodelagens de consumo. “Sinto falta do planejamento no pacote de ajuda ao setor produtivo, poderíamos contemplar em um único ato todos os setores produtivos que precisam de apoio, que estão passando por dificuldades e não agir sob demanda. A disponibilidade de recursos do Estado é única e as necessidades são de vários setores econômicos. Não devemos deixar nenhum para trás. E tudo estaria sendo pensado naquele comitê que cobrei no início da pandemia, que chamamos na época de Comitê da Primavera, na esperança de que a crise da pandemia passasse em 2020. Estamos atrasados e 2021 se mostrou ainda pior”, destacou a emedebista.

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