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Lula nega “plano milagroso” para economia

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Piracicaba (SP) ? O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem, ao inaugurar uma fundição do grupo Dedini, em Piracicaba (interior de São Paulo), que não haverá surpresas na economia durante o seu governo. ?Não tem milagre. Não tem invenção. Não tem Plano Lula. Não tem Plano Palocci. Não tem Plano Dirceu. Tem uma política de fidelidade com as pessoas, de sinceridade e, sobretudo, de credibilidade.? Segundo ele, ?ninguém será pego de surpresa com qualquer medida econômica anunciada no jornal da meia noite?. Sem explicar o motivo pelo qual estava negando a intenção do governo de adotar planos econômicos, Lula afirmou também que a população brasileira não pode aceitar mais ?aqueles planos que parecem um paraíso na televisão e que, depois de alguns anos, começam a causar prejuízos.? Para o presidente, grande parte da política econômica brasileira dos últimos anos não passou de intenções acadêmicas. ?No meu governo, não há tese acadêmica nem plano milagroso.? Lula disse que se sentia feliz por inaugurar uma fábrica que irá gerar 400 empregos e que pretende inaugurar muitas fábricas neste ano. Segundo ele, a economia brasileira adquiriu uma capacidade de crescimento três vezes superior a do ano passado -que foi nulo. ?Este é o ano em que a economia brasileira vai dar resposta aos anseios, às aspirações e às inquietudes de milhões e milhões de brasileiros que estão à espera de uma oportunidade de trabalho.? Lula defendeu o Proálcool e disse sentir orgulho de ter participado ?do momento histórico? em que foram quebrados os tabus dos trabalhadores contra os usineiros e vice-versa. O presidente reafirmou que está otimista: ?Estamos dando os passos certos. Não podemos ter pressa e trabalhar atabalhoados?. Reformas Previdência O presidente admitiu pela primeira vez que a reforma da previdência foi dura. ?Quero tratar o povo brasileiro como trato os meus filhos. Eu prefiro dizer não a contar uma mentira. E vou ter que dizer não muitas vezes. A reforma da previdência foi dura. A reforma tributária não foi tarefa fácil. Não fizemos a reforma dos sonhos de cada um individualmente, mas a que era possível naquele político. E vai ser assim de agora em diante.? Na cerimônia, Lula foi homenageado por um ex-patrão José Cássio Daltrini, diretor-presidente da indústria Dedini. Em 1981, Daltrini era diretor industrial da empresa Villares onde Lula trabalhava como metalúrgico. Naquele ano, Lula fez um acordo com a empresa para ser demitido e disputar o governo de São Paulo em 1982. Daltrini na ocasião apostou um jantar com Carlos Villares, presidente da empresa, que Lula seria presidente da República em dez anos. A aposta foi paga, quando ele perdeu a eleição em 1989 para Fernando Collor de Mello. Agora, Daltrini disse que irá cobrar ?uma festa inteira?. A história foi lembrada no discurso do presidente do sindicato dos metalúrgicos de Piracicaba, José Luiz Ribeiro. Ao discursar, Lula disse que há males que vem para bem. ?Não sei se foi pelo fato de ter sido dispensado da Villares que me tornei presidente da República. Nem achei que foi um mal ser demitido. Eu não podia ficar lá depois das greves de 80?, afirmou. Depois de muitos elogios ao presidente, Daltrini deu a ele uma camisa e um boné do XV de Piracicaba, o principal time da cidade.

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