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Política

Escrit�rio do MST, no Centro, � incendiado misteriosamente

MARCOS RODRIGUES A sede do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), situada no centro da cidade, foi incendiada, misteriosamente, na madrugada de ontem. O fogo, segundo os primeiros levantamentos da perícia, pode ter sido provocado por algum combustí

Por | Edição do dia 24/01/2004 - Matéria atualizada em 24/01/2004 às 00h00

MARCOS RODRIGUES A sede do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), situada no centro da cidade, foi incendiada, misteriosamente, na madrugada de ontem. O fogo, segundo os primeiros levantamentos da perícia, pode ter sido provocado por algum combustível. As chamas destruíram computadores, documentos e alguns móveis do escritório. Um dos possíveis focos do incêndio foi um armário onde se encontravam guardados R$ 33.000,00, provenientes dos convênios mantidos pelo movimento com o Incra e que serviria para pagamentos de técnicos e professores que trabalham nos assentamentos. O dirigente do movimento, José Santino, não soube apontar de onde teria partido a ação. Ele esteve no local e acompanhou os trabalhos da perícia. “Nós ficamos chocados. Quando cheguei do Interior já encontrei tudo destruído. Não faço idéia de onde teria partido esse problema. A princípio, não estamos enfrentando nenhum confronto que pudesse resultar nisso”, disse Santino. Ele, juntamente com o advogado do movimento, Daniel Nunes, passou todo o dia mantendo contato com autoridades. Como já tinham agendado um encontro com o secretário de Justiça e Defesa Social Robevaldo Davino, pediram empenho nas investigações. “Nós estamos recorrendo à secretaria por causa de um outro problema, que foi a morte de uma liderança do MST em Arapiraca, no ano passado. Mas como fomos vítimas deste incêndio pediremos empenho da polícia. Mesmo analisando como leigo, pude identificar que um dos focos principais do fogo foi justamente o móvel onde se encontrava o dinheiro. Além disso, bandeiras do movimento e um quadro com a foto de Che Guevara foram destruídos”, ressaltou o advogado. Após o encontro, segui para a Central Integrada de Atendimento Policial ao Cidadão (CIAPC), para oficializar a queixa-crime pelo incêndio e o sumiço do dinheiro. Apoio Mesmo atravessando uma crise de direção, depois da saída do superintendente Mário Agra, o Incra enviou dois assessores ao local para acompanhar o trabalho da polícia. Um deles, João Duda Calado, disse que não consegue ver relação entre os problemas por que passa o órgão e o incidente na sede do MST. “Mantemos uma boa relação com todos os movimentos agrários, por isso, o apoio é importante, até nestas situações”, disse, sem querer dar mais detalhes do que encontrou na sede queimada. “Qualquer detalhe que possa apontar pode prejudicar as investigações, além de não ajudar no esclarecimento”, ponderou. MST O MST, no ano passado, viveu um processo de disputa interno que resultou no afastamento de lideranças. Para pôr fim à crise, a direção nacional do movimento fez uma substituição de quadros. Depois disso, não foram observados problemas de relação entre os integrantes. Tanto que as ocupações e ações na cidade tiveram um refluxo. Em detrimento disso, algumas famílias, à revelia dos líderes, realizaram pedágios nas rodovias do Sertão e Litoral. Essa foi a primeira vez em que a sede do movimento sofreu um ataque desde que atua no Estado.

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