Política
Lessa viaja e busca votos para candidatos do PSB
ARNALDO FERREIRA CÉLIO GOMES MARCOS RODRIGUES O governador Ronaldo Lessa (PSB) voltou a cair na estrada como se estivesse em campanha. Só que agora o objetivo é melhorar a imagem do partido e expandir a base eleitoral. Lessa percorre os 102 municípios e entrega obras estratégicas: inaugura escolas estaduais, visita as melhorias da infra-estrutura e se reúne com as lideranças políticas de seu partido. Lessa é recepcionado com fogos, faz caminhadas e abraça a população como se fosse ele o candidato a prefeito. Na verdade, sabe que precisa melhorar o perfil político do partido, construir bases em pelo menos 60% das 102 prefeituras e câmaras municipais para avançar no projeto de 2006, quando vai disputar uma das cadeiras de senador. Por outro lado, Ronaldo Lessa quer estar longe das confusões burocráticas do diretório municipal, que ?falhou? no enviou da lista oficial do partido, com o nome de Alberto Sexta-Feira, ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) . O projeto de afunilamento das quatro pré-candidatos da capital, deputados federais Givaldo Carimbão e Maurício Quintella, o vereador Marcos Vieira e o vice- prefeito Alberto Sexta Feira, ao que tudo indica, está em segundo plano, até que receba a confirmação da Justiça Eleitoral de que continua na disputa. Pelo que anunciou o governador e a prefeita Kátia em entrevista coletiva na sede do partido, ano passado, o afunilamento aconteceria agora, no final de janeiro, e o partido teria apenas dois candidatos para participar das prévias previstas para o fim de fevereiro ou até meados de março. ?Não tem esta história de definir datas para a escolha do nosso candidato. E quem sair do processo de disputa interna tem de sair numa boa, como fez Jurandir Bóia?, orientou o governador. Na verdade, o presidente do diretório estadual do PSB, médico Jurandir retirou seu nome da lista dos pré-candidatos a prefeito de Maceió, depois de saber que ocuparia a cadeira do deputado Maurício Quintella, que saiu de Brasília e retornou a Maceió para assumir a Secretaria Estadual Metropolitana e assim ter visibilidade. Fortalecimento Os quatro pré-candidatos a prefeito fecharam a semana com discurso enaltecendo a liderança política do governador e as vitórias administrativas de Lessa na prefeitura e no governo. Nesta estratégia para ganhar a simpatia da maior liderança socialista quem mais chamou a atenção foi Marcos Vieira. Na sexta-feira, o vereador concedeu entrevista às emissoras de rádio rebatendo as críticas do presidente do diretório municipal do PFL, vereador Arnaldo Fontan. O oposicionista comparou a estratégia de Lessa, de ficar em campanha e deixar o vice Luís Abílio governando, como a mesma usada pelo ?governo a quatro mãos? dos ex-governadores Divaldo Suruagy e Manoel Gomes de Barros, eleitos em 1995. ?O vereador Arnaldo Fontan comete uma injustiça ao comparar o governo Lessa com a administração a quatro mãos. Ronaldo Lessa saneou e recuperou o Estado. Acho que Arnaldo Fontan está com saudade do passado?, ironizou Marcos Vieira. Enquanto isso, o deputado Givaldo Carimbão se apresentou na mídia como uma espécie de salvador das vítimas das enchentes no Sertão. ?Vou percorrer os municípios atingidos pela chuva para ajudar e buscar socorro federal?, prometeu Carimbão, em Maceió. O parlamentar tem mantido seguidas reuniões com representantes das igrejas, empresários do comércio e lideranças comunitárias. Crise Depois de chamar de ?verme? o possível responsável pela falha, ainda não descoberto, e que revelou um desentendimento no seio do PSB, a semana terminou amena. Sexta-Feira conseguiu reunir os documentos que faltavam para tentar demonstrar que o erro foi do PSB e que é quadro do partido. De Brasília, o neto do governador Miguel Arraes, Eduardo Campos, ex-líder do PSB na Câmara, mandou um recado para o governador alagoano, dizendo que pretende ajudar a manter a unidade dos socialistas brasileiros. Durante a semana, o governador relembrou os embates que viveu com o deputado federal Miguel Arraes, presidente eleito do partido. Segundo o governador, sua eleição foi cercada de ?manobras? que poderiam levá-lo a deixar o partido, por causa da falta de espaço político. Nem o neto de Arraes escapou de suas críticas. Mas o recado, do agora ministro Eduardo Campos, não impediu que durante toda a semana fosse especulada a ida de Lessa para o PT ou ainda para o PMDB. Ele nega e os petistas desconhecem, mas peemedebistas torcem. O detalhe é que a semana foi marcada por dois discursos distintos. Hora o governador fortalece o partido para a disputa municipal, ora alimenta o desejo de deixar a sigla que ajudou a construir.