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Pol�ticos de Arapiraca assediam os p�rocos

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MAIKEL MARQUES ARNALDO FERREIRA Boa parte dos políticos da região do Agreste condiciona o apoio à Igreja ao retorno imediato em forma dos votos necessários a sua manutenção no poder. A afirmação é do padre Aldo de Melo Brandão, responsável pela Paróquia de Nossa Senhora do Bom Conselho, em Arapiraca. O religioso ratifica não só a força da Igreja como também a importância de acompanhar o processo político e conseqüente orientação dos fiéis sobre quem é digno de ser votado. ?Quando me perguntam sobre os candidatos, eu digo em quem e por que voto. Oriento os fiéis e lhes dou subsídios para que façam a escolha certa?, prega o religioso, conhecido no Agreste por combater os políticos que se valem do poder para alcançar objetivos de interesses pessoais. Pastor e orientador religioso dos milhares de fiéis que superlotam a concatedral da cidade, padre Aldo tem 77 anos e diz que quem tenta enganar a Igreja perde a eleição. Recentemente, completou meio século de sacerdócio, 19 dos quais em Arapiraca. É um dos párocos de maior prestígio nas comunidades da região. Na sua avaliação, Arapiraca é um ?manancial? de histórias envolvendo políticos que, nas vésperas do processo eleitoral, aproximam-se do clero com objetivo de tê-lo como aliado em troca de votos. Embora não declare apoio oficial a uma candidatura específica para a próxima eleição, o religioso confirma já ter sido sondado por inúmeros pré-candidatos. Atento ao poder da Igreja, um desses candidatos ofereceu apoio financeiro às obras da Igreja. Porém, impôs uma condição: apoio do religioso para que pudesse contabilizar votos. ?Esse tipo de comportamento é rotineiro em Arapiraca. Primeiro, eles contabilizam a perspectiva de voto, para depois pensar se vão ou não ajudar a paróquia?, revela. Palanque Padre Aldo também confirma que já subiu no palanque de alguns candidatos, que lhe abandonaram à beira do caminho e acabaram subestimando a força do clero. ?Eles perderam feio a eleição?, ironiza padre Aldo. Embora não revele nomes, o pároco de Arapiraca dá uma pista de como os políticos buscam o apoio da Igreja. Um dos exemplos aconteceu na eleição municipal de 2000. Padre Aldo emprestou o som da igreja a uma candidata a vereadora. No início da campanha, o padre participava e tinha voz ativa nos comícios, mas o candidato, ao perceber o seu crescimento, acabou silenciando o padre, a ponto de impedi-lo de fazer suas pregações nas campanhas. Ao se sentir preterido, o padre revelou ter retirado o apoio a até então candidata da Igreja. Resultado: ela começou a cair nas pesquisas e perdeu a eleição. ?Sem apoio dos fiéis e da Igreja não há candidatura que resista?, diz o religioso. Campanhas Indagado sobre o que faz contra os políticos demagogos e contra os que iludem até os chefes religiosos, padre Aldo garantiu que não ensina e nem pratica a vingança. Afirmou não fazer campanha contra os políticos que lhe pedem apoio e depois mudam o discurso. ?Não faço política contra nem a favor. Mas não posso deixar de cumprir minha missão de orientar os fiéis sobre a importância de cada voto para ajudar nas transformações sociais e destaco que tipo de cidadão merece ser votado pelos católicos?, avisou o religioso, que deixou claro: ?a Igreja é instituição fortíssima. Não pode ser subestimada por nenhum dos candidatos. É melhor tê-la como aliada do que como inimiga?, orientou. Coordenador de diversos projetos sociais em Arapiraca, o religioso critica os políticos que lhe oferecem apoio no momento da eleição pensando em receber votos e vantagens. ?Precisam deixar de lado o pensamento de obter vantagem imediata?. E quando lhe perguntam em quem vai votar? ?Como cidadão, eu digo o candidato de minha preferência. Aquele com a melhor qualidade e que tenha condições de elaborar projetos para ajudar sobretudo os mais pobres. Os fiéis são livres para a melhor opção?. Freqüentador de eventos políticos promovidos pelos poderes públicos do município, Padre Aldo diz ser impossível a Igreja não acompanhar a atuação de quem foi eleito pelo povo para trabalhar nas causas com as quais se comprometeu durante a campanha. ?Também somos fiscal e testemunha de como o dinheiro público vem sendo utilizado?, afirmou. Católicos Os 1.633.491 eleitores dos 102 municípios alagoanos são maciçamente católicos. O maior colégio eleitoral do Estado é Maceió com 429.437 eleitores. Em nenhum ponto do Estado os políticos subestimam a força da Igreja. Em Maceió, a maioria dos pré-candidatos a prefeito se movimenta para se aproximar dos párocos e do arcebispo dom José Carlos. A benção da Igreja Católica é cobiçada. A maioria dos 152 padres em Alagoas admite que em tempo de eleição o assédio é impressionante. A Igreja avalia que a movimentação faz parte da campanha e, cuidadosa, defende a orientação da CNBB, em se manter como observadora do processo.

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