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Confronto entre os Ferro j� era previsto

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MAIKEL MARQUES Sucursal Arapiraca ? O confronto entre o deputado estadual Cícero Ferro (PMDB) e o seu primo José Nilton Cardoso Ferro (filiado ao PFL) ?já era fato previsível e poderia acontecer a qualquer momento?. A afirmação foi feita ontem pelo delegado regional de Palmeira dos Índios, Rosivaldo Vilar, uma das testemunhas do encontro de conciliação promovido, no final do ano passado, pela juíza Iva Bernadete, no Fórum de Cacimbinhas, e do qual também fez parte o coronel Valdir, comandante do Batalhão da PM de Palmeira. O encontro, organizado pelas forças policiais e pela representante do Poder Judiciário, ocorreu na segunda quinzena de dezembro de 2003, dias antes da realização da festa em homenagem à padroeira de Minador do Negrão, quando o deputado e o primo pecuarista tinham decidido promover cavalgadas simultâneas, cujo ponto de concentração era o mesmo: o centro da cidade. ?Havia risco de conflito, uma vez que o evento aconteceria exatamente em dia e horário semelhantes?, explicou o delegado. Encontro Diante do acirramento dos ânimos e de um possível confronto, o deputado Cícero Ferro e o pecuarista José Nilton Cardoso concordaram em sentar à mesma mesa, em encontro a portas fechadas e mediado pela juíza de Cacimbinhas. Ao sugerirem ao deputado e ao pecuarista que promovessem as cavalgadas em dias alternados, a juíza, o delegado e o comandante da Polícia Militar ouviram resposta negativa. Duas horas depois de muito diálogo, um novo apelo da juíza acabou não surtindo efeito. Cícero Ferro e José Nilton discordaram da mudança do dia, mas concordaram em mudar o horário. ?Ficou acertado que as cavalgadas começariam com até uma hora de antecedência?, afirmou o delegado regional Rosivaldo Vilar, segundo o qual os festejos aconteceram em clima de tensão, mas sem qualquer incidente. Ainda de acordo com o delegado, o clima de tensão entre o deputado e seu primo pecuarista é antigo. Ele afirma, no entanto, que o clima de animosidade entre as partes aumentou quando da decisão dos dois grupos de anunciarem pré-candidaturas ao cargo de prefeito. ?Era previsível? ?O confronto do último fim de semana era fato previsível?, explicou Rosivaldo Vilar. Acompanhado de dezenas de agentes, o delegado passou o último fim de semana em diligência. Ele revistou a casa do pecuarista José Nilton e de seus familiares, mas não encontrou pistas que pudessem revelar o paradeiro dos acusados de tramar o atentado. Ontem pela manhã, encaminhou pedido de prisão preventiva do pecuarista de seus filhos à juíza de Cacimbinhas, Iva Bernadete, que deve divulgar hoje sua decisão. ?Quem vê como o carro ficou, não acredita que sobreviveram? Sucursal Arapiraca ? ?Quem olha para o carro cheio de buracos de bala não imagina que eles sobreviveram?, afirma uma das funcionárias da chácara do deputado Cícero Ferro, que foi vítima de atentado a bala no último sábado, em Minador do Negrão. Sob olhar atento dos dois policiais militares que fazem a segurança do local 24 horas por dia, ela observava o carro crivado de balas e fez uma observação: ?Ele (o deputado) tinha proteção divina. Veja que as balas não furaram a imagem de Nossa Senhora?. A imagem a que se refere a funcionária do deputado é um adesivo colocado no centro do pára-brisas do veículo Nissan Frontier, cuja lataria tem 149 perfurações provocadas por tiros de revólver, pistola, escopeta e espingarda calibre 12. Estilhaços de vidros e marcas de sangue espalhadas pelos bancos demonstram a violência da ação dos desafetos do deputado. Reforço ?Atiraram para matar. Por muito pouco não conseguiram concretizar a ação?, comentou o delegado Rosivaldo Vilar, que determinou reforço no esquema de segurança da cidade de Minador do Negrão. Seis agentes da Polícia Civil fazem blitze constantes na cidade, além de um sargento e dois soldados que cuidam da segurança da chácara, onde ficou guardado o carro crivado de balas e que foi periciado pela Secretaria de Defesa Social no último fim de semana. Lei do silêncio Desde a manhã do último sábado, quando ocorreu o atentado contra o deputado Cícero Ferro e seu motorista, o clima de medo e tensão tomou conta da cidade de Minador do Negrão, onde impera a lei do silêncio. ?Por favor, prefiro não comentar o assunto?, afirmou à reportagem da GAZETA um comerciante do centro da cidade. Os poucos cidadãos que circulavam, ontem, pelas ruas vazias do centro da cidade também não queriam tecer qualquer comentário sobre o clima de rivalidade política no município entre membros da família Ferro. Até mesmo os policiais de plantão na delegacia de Polícia da cidade evitavam fazer qualquer comentário sobre o assunto. ?Não tenho autorização para falar. Procure o delegado?, avisou um dos policiais de plantão. (MM)

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