Política
Pedida pris�o de seguran�as de Jo�o Beltr�o
CÉLIO GOMES ARNALDO FERREIRA O secretário de Defesa Social, Robervaldo Davino, confirmou, ontem, que a polícia pediu à Justiça a prisão preventiva de dois homens suspeitos de assassinar o comerciante de jóias José Cerqueira e seu motorista, Magelo da Silva, crime ocorrido em agosto do ano passado, no município de Coruripe, a 130 quilômetros de Maceió. A polícia se recusa a revelar os nomes dos suspeitos, mas a GAZETA DE ALAGOAS apurou que são dois policiais (um PM e um civil), que trabalham como seguranças do deputado estadual João Beltrão (PMDB). ?Assim que a Justiça comunicar que acatou nosso pedido, a secretaria mobiliza nosso pessoal para efetuar as prisões?, disse, ontem à tarde, o secretário Davino. Testemunhas disseram, na primeira fase do inquérito, que o vendedor de jóias teria se encontrado com o deputado Beltrão, em Coruripe, no dia 19 de agosto. Foi a última vez que ele foi visto. O deputado confirmou, em declarações à imprensa no ano passado, que chegou a comprar jóias do comerciante. José Cerqueira teria ido até Coruripe para cobrar pagamento, a várias pessoas, da venda de jóias. Beltrão disse, também no ano passado, que não devia dinheiro a Cerqueira. Intimação Há pelo menos dez dias a polícia anunciou que pretendia ouvir o deputado João Beltrão sobre o caso. Segundo a Secretaria de Defesa Social, uma intimação seria entregue, na última segunda-feira, no gabinete de João Beltrão, na Assembléia Legislativa, convocando-o para o depoimento. Isso, no entanto, não havia acontecido até ontem. Beltrão visita secretário O deputado João Beltrão, que estava viajando havia mais de 15 dias, reapareceu ontem. À tarde, ele fez uma visita ao secretário de Defesa Social, Robervaldo Davino, na sede da secretaria. O parlamentar estava acompanhado do também deputado (e delegado) Francisco Tenório. Antes, eles estiveram no Hospital Arthur Ramos, onde está internado o deputado Cícero Ferro, vítima de atentado em Minador do Negrão, no último sábado. Os dois parlamentares conversaram com o secretário por cerca de meia hora. Na segunda-feira, ao falar sobre violência política em Alagoas, o governador Ronaldo Lessa (PSB) disse que ?qualquer deputado envolvido em crimes? deveria deixar a bancada do governo na Assembléria. Lessa citou um único nome: João Beltrão. O secretário Robervaldo Davino disse que na conversa com Beltrão não tratou do assassinato do vendedor de jóias. ?Foi uma visita de cortesia de um amigo?, disse o secretário, referindo-se ao deputado. ?Fazia tempo que a gente não se encontrava; ele [Beltrão] estava me devendo esse encontro?. Irritação Antes de ir à secretaria, ainda no Hospital Arthur Ramos, João Beltrão falou à GAZETA sobre o caso do vendedor de jóias, no qual seus seguranças são suspeitos de autoria material do crime. Mostrou-se irritado com o assunto. ?Não adianta, não vou me posicionar sobre esse assunto?, disse o parlamentar. Diante da insistência, o deputado reagiu: ?Vocês da imprensa já não sabem de tudo? Então continuem as investigações e ajudem a polícia a esclarecer o caso?.