Política
Ministros visitam Alagoas, mas n�o garantem recursos
MARCOS RODRIGUES O governo federal cumpriu a promessa. Um dia após o sobrevôo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a duas cidades nordestinas, foi a vez de Alagoas receber a visita de dois ministros: Humberto Costa (Saúde) e Anderson Adauto (Transportes). Ambos se reuniram, ontem, no Palácio dos Martírios, com o governador Ronaldo Lessa (PSB) e os prefeitos das 15 áreas atingidas pelas enchentes. Nenhum dos dois, entretanto, confirmou a liberação de recursos, como queriam os prefeitos, mas garantiram ações em suas respectivas pastas. Pela manhã, o ministro Humberto Costa confirmou a liberação dos kits de farmácia básica com 23 medicamentos. Os remédios são de uso específico para o combate a doenças provenientes da contaminação pela água. Entre os medicamentos estão analgésicos, antiinflamatórios, antitérmicos e antibióticos, além de soro para reidratação oral. ?Nossa principal preocupação é com o fim do período de incubação, que fará com que os primeiros sintomas de doenças específicas de contaminação hídrica comecem a se manifestar. Por isso, os kits já estarão no Estado a partir desta sexta-feira [hoje]?, afirmou o ministro. Costa disse, também, que as ações que continuarão sendo desenvolvidas no Estado para o combate de doenças serão articuladas com outros ministérios. ?A orientação do presidente Lula é de que os ministros possam trabalhar de forma integrada a fim de garantirmos eficiência das ações?. Relatório Durante a reunião, que também contou com a participação do secretário estadual de Saúde, Álvaro Machado, o ministro recebeu um relatório detalhado sobre as unidades de saúde que foram atingidas pelas enchentes. Os levantamentos foram realizados pela divisão de engenharia da secretaria. Segundo os técnicos, postos de saúde e salas de atendimento odontológico precisam de reparos. Entre os municípios que necessitam de ajuda estão São José da Laje, Belo Monte, Jacaré dos Homens, Santana do Ipanema e Batalha. O relatório apresenta, também, informações sobre as principais áreas de risco de contaminação por leptospirose, hepatite A, cólera, febre tifóide e diarréias agudas ? todas em função da contaminação pela água. Os levantamentos foram feitos pelas equipes do Programa de Saúde da Família (PSF). Para esse levantamento, a equipe coordenada pela secretaria trabalhou em parceria com a Vigilância Sanitária, Ambiental e Vigilância Epidemiológica. Em todas as áreas atingidas foram realizados treinamentos com os técnicos para o trabalho com os pacientes que precisarem dos cuidados específicos. Água O maior problema a ser combatido em caráter emergencial é o da falta de água potável. Segundo o relatório entregue pela secretaria, o fornecimento está prejudicado na maioria dos municípios atingidos. Além disso, a distribuição de carros-pipa também ficou comprometida por conta da falta de áreas adequadas para a coleta de água em condições de consumo. Segundo o ministro Humberto Costa, esse problema é comum em todos os estados atingidos. Por isso, a principal recomendação é para o tratamento com hipoclorito de sódio, que já começou a ser distribuído.