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PM quer expulsar l�der de cabos e soldados

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CÉLIO GOMES O homem que representa 70 por cento da tropa da Polícia Militar de Alagoas está com os dias contados na corporação. Wagner Simas, presidente da Associação dos Cabos e Soldados da PM, será julgado no dia 4 de março. Se prevalecer a tendência nesse tipo de julgamento, sua expulsão é dada como certa. A PM tem cerca de 7.900 homens na ativa. Simas vai sentar no banco dos réus e enfrentará as conclusões do processo que apresenta 16 crimes contra ele, mas tudo se resume numa palavra: aquartelamento. O processo é de junho de 2001, quando os policiais militares ficaram nos quartéis, em mais um movimento grevista para obter reajuste salarial e melhoria das condições de trabalho. O presidente da associação é acusado, entre outras coisas, de organizar motim, incitar a tropa, quebrar a hierarquia e organização de revolta. ?Ainda durante o movimento, a gente sabia que ocorreriam retaliações e punições. Passavam a mensagem para a base como forma de pressão para que a gente acabasse o movimento?, lembra Simas. A greve branca da PM durou cinco dias. Seis réus Além do presidente da Associação dos Cabos e Soldados, mais cinco militares estão no processo e serão julgados na mesma data. São eles: os majores Hermes Cordeiro de Melo e João Jonas; os sargentos Alberto e Ednor e o cabo Marival Messias. A expectativa entre os réus não é das melhores. ?A tendência é pela punição?, fala com convicção o soldado Simas. Por não ter muitas dúvidas de que o julgamento deve condená-los, a Associação já se prepara para uma batalha jurídica. ?Com certeza nós vamos recorrer; nossos advogados já sabem que isso certamente deve acontecer. Queremos a absolvição, mas é difícil?. O julgamento é presidido pelo juiz James Magalhães. A corte do Tribunal Militar é formada por mais três coronéis e um major. Além de serem expulsos dos quadros da PM, os réus podem ser condenados à prisão, com penas que variam de 8 a 30 anos. ?Nós não fazemos parte de gangue fardada, não cometemos crime nenhum. Cobramos direitos. A punição seria uma injustiça?, afirma o soldado Simas. Atuação O soldado Wagner Simas tem 37 anos e entrou na Polícia Militar, por concurso, há 18 anos. Ele está no primeiro mandato à frente da Associação, depois de vencer a eleição em novembro de 2000. Este ano, a entidade realiza nova eleição e Simas deve ser candidato. A função de liderar cabos e soldados ? a grande maioria da tropa ?, provocou uma mudança imediata na relação entre o comando geral da instituição e Wagner Simas. ?Durante 16 anos, minha ficha foi limpa, não tinha uma repreensão. Logo depois que assumi, fui punido com dez dias de xadrez por causa de uma distribuição de panfletos que fazia com os militares?, conta Simas. Pouco tempo depois, o militar sofreu um golpe no bolso. Ele fazia parte do contingente que trabalha no Palácio Floriano Peixoto, a sede do governo do Estado. Por isso, tinha melhor salário. ?Fui exonerado?. Política ?A segurança pública no Estado é uma praga, e não sei qual será o governo que vai mesmo combater essa situação?, é a opinião de Simas quando perguntado sobre a estrutura da PM e a qualidade do serviço de segurança pública em Alagoas. Wagner Simas foi candidato a deputado federal pelo PT, na eleição de 2002. Recebeu pouco mais de 5 mil votos, a maioria em Maceió. Em outubro deste ano, ele pretende enfrentar as urnas de novo. É pré-candidato a vereador. Para Simas, a Polícia Militar vive uma situação de emergência em setores que afetam diretamente o desempenho da tropa. ?As viaturas estão paradas nos quartéis por falta de combustível. E quando saem para operações, ficam no meio da rua, sem gasolina?, conta ele. Simas vê mais problemas na PM. ?Os coletes à prova de bala não são adequados para o trabalho, os carros também ficam parados porque a PM não pode mandar consertar um pneu numa borracharia, já que não tem 3 reais para pagar o serviço?. O atendimento médico da tropa também não anda bem cuidado, segundo Simas. ?Nós temos um hospital militar onde falta quase tudo, tudo?, ironiza o militar. O pré-candidato do PT considera que a PM viveu dias melhores no período 1990/94, tempos do governo Geraldo Bulhões. ?Foi o melhor governo para a polícia. Um soldado ganhava 7 salários mínimos. Hoje o vencimento não chega a três salários mínimos?. À beira da expulsão, o militar endurece mais ainda suas críticas ao falar sobre as ações de governo. ?O governador diz que está mudando o Estado, mas ele não pode fazer mudança somente com mídia?, diz, referindo-se às campanhas publicitárias que divulgam as realizações oficiais. Em menos de um mês, o soldado Wagner Simas será julgado por policiais que estão acima de sua patente. ?A hierarquia da PM é arcaica?, dispara o policial, que, mesmo com todas as críticas que faz à instituição, diz que não se considera um problema para o Comando Geral.

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