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Jogo de empurra paralisa as investiga��es do caso Coruripe

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RODRIGO CAVALCANTE PLINIO LINS A decisão sobre a prisão do policial civil e vereador Jesse James Viana Neto, o ?Neno? ? suspeito de envolvimento no seqüestro e assassinato do vendedor de jóias José Cerqueira e do motorista Magelo da Silva ? continuava, até ontem, esbarrando num impasse entre a Polícia Civil e a Justiça. As duas instituições ?empurram?, uma para a outra, a responsabilidade pela falta de definição quanto ao pedido de prisão. Sem o mandado de prisão, as investigações do caso estão virtualmente paralisadas. José Cerqueira e Magelo da Silva foram seqüestrados e executados em agosto do ano passado, em Coruripe. As ossadas dos dois só foram encontradas em novembro, num canavial na zona rural do município, e identificadas por exames de DNA. As investigações policiais conduzem ao envolvimento de Jesse James, que trabalhava como segurança do deputado estadual João Beltrão (PMDB). Há ainda outro segurança de Beltrão, o PM Nailton Ferreira da Silva, suspeito de envolvimento. No dia 30 de janeiro, a Polícia Civil tentou entregar o pedido de prisão temporária de Jesse James (30 dias prorrogáveis por mais 30, por crime hediondo) ao juiz-substituto da comarca de Coruripe, Luciano Américo Galvão Filho. O magistrado alegou que estava nos últimos dias de sua interinidade em Coruripe e não quis receber o pedido em mãos. O caso foi parar no Tribunal de Justiça ? e aí começam as declarações contraditórias entre autoridades policiais e judiciárias. A GAZETA DE ALAGOAS apurou que, no mesmo dia 30, houve uma reunião no TJ entre delegados da Polícia Civil e representantes do Tribunal de Justiça, já que o presidente da Corte, desembargador Geraldo Tenório, estava viajando. Fontes da cúpula da Polícia Civil afirmam que o pedido de prisão de ?Neno? foi entregue ao Tribunal de Justiça nesse dia. Mas o processo ficou parado; a ordem de prisão não era expedida pela Justiça. O juiz titular de Coruripe, Carlos Henrique Pita Duarte, afirmou em entrevistas que, oficialmente, não havia na Comarca nenhum pedido de prisão contra Jesse James. Diante da insistência da Polícia Civil, foi realizada uma segunda reunião no TJ, desta vez entre o desembargador-presidente, Geraldo Tenório, e o secretário de Defesa Social, Robervaldo Davino. Ficou estabelecido que o pedido de prisão de ?Neno? seria refeito pela Polícia Civil e encaminhado no dia seguinte (terça-feira, 10) ao juiz de Coruripe, via Tribunal de Justiça. Segundo a cúpula da Polícia Civil, isso foi feito. Ainda assim, o juiz Carlos Henrique Pita Duarte reafirmou à GAZETA que, pelo menos até às 13 horas de ontem (horário de fechamento do Fórum de Coruripe), não havia nenhum pedido de prisão contra Jesse James. E aí surge outra troca de informações conflitantes. Uma fonte da direção da Polícia Civil disse ontem à GAZETA DE ALAGOAS que os volumes do inquérito foram deixados na presidência do Tribunal de Justiça. ?Nós pedimos que os autos nos fossem entregues para ser enviados a Coruripe por um escrivão. Mas o Tribunal disse que ele próprio enviaria a Coruripe, por um oficial de Justiça?. Já o Tribunal de Justiça, por uma fonte autorizada, informou ontem à GAZETA que os autos do processo ?estão com a Polícia Civil?.

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