Política
Autora de den�ncias de irregularidades no Cefet se diz amea�ada
ARNALDO FERREIRA A cirurgiã-dentista Maria Sueli Ribeira Macedo, autora das denúncias que levaram a Procuradoria da República a determinar à Superintendência da Polícia Federal de Alagoas abrir inquérito e indiciar o diretor-geral do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet/AL), professor Mário César Jucá, por crime de prevaricação, disse ontem que, a partir das suas denúncias de irregularidades na administração e no concurso do Cefet, passou a receber ameaças e tem sido vítima de perseguições políticas e administrativas na instituição. Mário Jucá foi indiciado porque, segundo inquérito da Polícia Federal presidido pelo delegado Joacy Avelino da Silva, permitiu que sua esposa, a cirurgiã-dentista Maria Augusta Lima Jucá, se inscrevesse no concurso do Cefet (antes Escola Técnica Federal), em 1993, com o nome de solteira (Maria Augusta Cunha Lima), quando já era casada com ela. A mulher de Jucá também foi indiciada pelo delegado da PF por crime de falsidade ideológica. Maria Augusta Jucá passou em primeiro lugar no concurso. A autora das denúncias, Maria Sueli Ribeiro, ficou em segundo lugar no mesmo concurso. ?Antes, as minhas denúncias foram verbais. Em 2002, fiz a representação no Ministério Público e logo depois as perseguições, represálias e ameaças aumentaram. Os próprios colegas de trabalho me recomendaram tomar mais cuidado com a minha segurança?, disse Sueli, que atribui as perseguições e ameaças a pessoas ligadas ao diretor-geral do Cefet. ?Na primeira fase do inquérito sobre as irregularidades no concurso do Cefet ocorreram falhas nos procedimentos investigativos?, disse Sueli ao acrescentar que ?tivemos de ir a Brasília e levar à direção-geral da PF as falhas do inquérito. O caso foi retomado e hoje a gente observa que o delegado Joacy Avelino conseguiu comprovar as denúncias que fizemos?, afirmou. O professor Mário César Jucá já mobilizou seus advogados para estudar o relatório da Polícia Federal que o indicia por crime de prevaricação. Ele se diz confiante. ?Este caso não tem mais sentido. Eu me afastei da comissão do concurso exatamente porque a minha mulher estava entre os inscritos e o caso está prescrito?, acredita Mário Jucá, que evita se aprofundar no assunto sem orientação dos advogados. Além do inquérito na Polícia Federal, há ainda uma comissão do Ministério da Educação e de auditores da Controladoria Geral da União (CGU) promovendo uma devassa administrativa na gestão de Mário Jucá no Cefet. A comissão é coordenada pela procuradora federal Valéria Lages da Ressurreição. Um dos auditores da CGU, por telefone, informou à GAZETA DE ALAGOAS que ?não podemos fazer declarações sobre a nossa tarefa porque estamos diante de um trabalho extenso?, disse o auditor, que se identificou apenas como Geovani. A comissão, que está há duas semanas em Alagoas, tem 60 dias para concluir as investigações sobre denúncias de indícios de irregularidades na instituição de ensino federal.