Política
Candidatos e acusa��es: a maldi��o da elei��o
MARCOS RODRIGUES Todo processo eleitoral, ainda que no começo, costuma revelar fatos políticos ou pessoais dos candidatos que, se não os derrubam, servem para arranhar suas imagens diante dos eleitores. Mal o pleito de 2004 começou, e dois pré-candidatos ? Alberto Sexta-Feira (PSB) e João Lyra (PTB) ? já têm seus respectivos nomes expostos a fatos que atrapalham suas pretensões. A maldição da eleição não escolhe sigla ou corrente ideológica. Ela também é conhecida como ?boato?. No PSB, um dos pré-candidatos, Alberto Sexta- Feira, enfrentou maus momentos. Foi vítima do ?esquecimento? do partido em enviar o seu nome, entre os filiados, para o Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Depois, foi prejudicado pela herança da rejeição à gestão da prefeita Kátia Born. Por último, investigações desenvolvidas no Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) poderiam respingar no candidato, segundo os denunciantes. Coube ao pré-candidato se fortalecer para não perder espaço. Indagado sobre os prejuízos que isso poderiam trazer para a sua candidatura dentro do partido, ele disse que se fortaleceu. ?Quanto mais essas coisas acontecem, eu me fortaleço. Me preparei e trabalho para a disputa, mas defendo a união?, explicou Sexta. Ele sabe que a melhor estratégia é reverter a imagem. ?A população não está interessada em discussões localizadas, mas sim em projetos e ações nas comunidades?, analisou ele, quando começaram a surgir as polêmicas envolvendo o seu nome. Articulação Mas não foi tão simples assim. Isso porque o PSB ?inchou?, e quem dá a palavra final é a cúpula do partido, da qual fazem parte o governador Ronaldo Lessa e a prefeita Kátia Born. Lessa, por sua vez, foi quem mais se influenciou com o que vinha sendo divulgado envolvendo o nome de Sexta-Feira. Ele se baseou nestas informações para optar pelo vereador Marcos Vieira como seu pré-candidato a prefeito de Maceió, pelo PSB. Além disso, pesquisas ajudaram o governador a tomar a decisão. Mas no grupo socialista a ?maldição? atingiu outras pessoas. Ao vereador Marcos Vieira, por exemplo, alguns adversários ligaram a crise envolvendo os transportes escolares no Interior. Ele, por sua vez, não deixou que a exploração do assunto continuasse. Outro nome do partido atingido foi o do deputado federal Givaldo Carimbão. Ainda no ano passado, seu nome foi envolvido numa polêmica que incluía a instituição ?Lar coração de Jesus?, que teria se beneficiado da distribuição de bolsa-escola do governo estadual. A polêmica envolvendo o fato foi parar na Câmara de Vereadores. Mesmo sendo considerado algo legal pelo Ministério Público, que confirmou a assistência social aos menores, o caso não foi considerado ético pela oposição. Depois, Carimbão voltou a entrar em ?rota de colisão? com membros do partido, quando apareceu em outdoors espalhados por representantes dos empresários do comércio. Lá constava a informação de que foi o deputado o único a conseguir R$ 5 milhões para revitalizar o centro da capital. O detalhe é que emenda individual ao Orçamento da União só pode ser feita até R$ 3 milhões. Com isso, mesmo com um bom desempenho nas pesquisas internas do PSB, ele foi convencido pelo governador a continuar no Congresso. ?O governador me convenceu da minha importância em Brasília e por isso retirei minha pré-candidatura e agora vou marchar com Marcos Vieira?, disse Carimbão. O único que ficou de fora das disputas mais ?intensas? entre os socialistas foi o deputado federal Maurício Quintella. Porém, ele não conseguiu a visibilidade que pretendia na secretaria das Regiões Metropolitanas. Ao invés de retornar a Brasília como dissera que faria, caso não fosse o escolhido do PSB, ele será colocado na Secretaria Estadual de Educação, no lugar de Willams Soares Batista. Sombra de Heloísa Já o PT, dentro do espectro de ?problemas? com candidaturas, passou pela expulsão da senadora Heloísa Helena. Ela se considerava a potencial candidata do partido. Mas já era considerada ?carta fora do baralho? quando esbarrou com a coligação do PT com o PL. Daí para frente, entrou em choque público com o deputado Paulo Fernando dos Santos, (Paulão). A senadora chegou a se referir ao deputado como uma pessoa que, figurativamente, a teria ?apunhalado pelas costas?. A expressão é uma referência ao trabalho da tendência interna do PT da qual Paulão faz parte, a ?Articulação de Esquerda?, para a saída da senadora do partido. O desafio do petista é trabalhar sua candidatura sem a sombra da senadora sobre si. O deputado federal João Lyra (PTB) também não ficou de fora da ?maldição da eleição?. Há duas semanas, seu nome circula na mídia citado por testemunhas do caso Sílvio Vianna, que afirmaram ter ?ouvido dizer? que ele era um dos envolvidos na morte do tributarista, ocorrida há sete anos. ?Só estou sofrendo isso porque entrei na política. Mas não vou desistir?, disse o deputado, classificando tudo como ?calúnias dos adversários?. Por enquanto, o único pré-candidato que parece ter evitado uma exposição excessiva e negativa é o deputado estadual Cícero Almeida (PDT), que continua líder nas pesquisas de opinião.