Política
Ab�lio avisa a advers�rios que�n�o apostem na desuni�o do PSB
ARNALDO FERREIRA O vice-governador Luis Abílio de Souza (PSB) disse, em entrevista coletiva na quinta-feira, que a disputa interna no seu partido em torno das pré-candidaturas do vereador Marcos Vieira e de Alberto Sexta-Feira não vai dividir o PSB. Segundo Abílio, quem for o escolhido para ser o cabeça de chapa no processo de sucessão da prefeita licenciada Kátia Born (PSB) terá o apoio de todo o partido. ?Não apostem na desunião do PSB?, avisou. Luis Abílio revelou, ainda, que o Estado vive um clima pré-eleitoral de normalidade democrática. Mesmo assim, ?o governo está atento aos pontos de tensão de disputa eleitoral?. Ele confirmou que está conversando com as lideranças políticas, para evitar confrontos durante a disputa eleitoral. - O que muda a partir da posse de Alberto Sexta-Feira no cargo de prefeito de Maceió por 90 dias? - Não acredito que haja grandes mudanças. Até porque o Sexta-Feira participava da administração da prefeita Kátia Born ativamente, desde o primeiro momento. Claro que, neste período, ele irá imprimir o seu estilo próprio de administrar e levar adiante o projeto do PSB. Imagino que, se tiverem mudanças, serão benéficas. - Há uma articulação em curso nos bastidores para construção de uma frente ampla da base governista, que seria encabeçada pelo senador Teotonio Vilela Filho (PSDB). O seu partido, o PSB, vai compor esta articulação? - Nós estamos na época das conversações. Estamos a sete meses das eleições municipais e está na hora de conversar, buscar alianças. O PSB está aberto a todo e qualquer tipo de conversa com qualquer partido. Não trabalhamos com a exclusão partidária. Agora, o PSB tem candidato. - No âmbito do PSB, o governador Ronaldo Lessa diz que apóia o vereador Marcos Vieira. A prefeita Kátia Born declara apoio para Alberto Sexta-Feira. E quem o senhor apóia? - Não é uma questão de apoiar um ou outro candidato simplesmente. O que acontece é que o governador acha que, neste momento, o melhor nome para encabeçar a chapa do PSB é o vereador Marcos Vieira. Já a prefeita prefere Sexta- Feira. Vejo os dois nomes com muita tranqüilidade e, por questões de política partidária e tempo no partido, tenho afinidade pelo vereador Marcos Vieira. Mas vou ficar com o candidato que o partido escolher. Se for o Sexta-Feira, irei apoiá-lo. - A disputa interna que acontece hoje não pode causar a divisão do seu PSB? - Aproveito para avisar aos que acreditam na divisão do partido: não apostem nesta possibilidade nem na luta interna do PSB; não apostem na desunião do nosso partido. Podem acreditar que vamos sair unidos e há entendimento, entre os dois pré-candidatos, que o escolhido terá apoio de todo o partido. - A escolha do candidato do PSB pode sair de um processo de entendimento entre os senadores Renan Calheiros (PMDB) e Teotonio Vilela (PSDB), mais o governador Ronaldo Lessa? - Em política tudo é possível. É como falei anteriormente, a hora das conversações é essa. - O PSB abriria mão de ser o cabeça de chapa, em nome da construção de uma frente ampla de centro-esquerda, para não correr risco de perder a Prefeitura de Maceió para a oposição? - Olha, nas conversas políticas nenhuma hipótese pode ser descartada. Mas gostaria de dar o exemplo do futebol: imaginem vocês tirar o Flamengo da disputa do campeonato carioca para o Fluminense ser o campeão? Eu jamais faria isso, como flamenguista que sou. - Como o governo estadual acompanhou o julgamento dos acusados de matar o coordenador-geral da Administração Tributária da Secretaria da Fazenda, Sílvio Vianna, executado numa emboscada no dia 28 de outubro de 1996? - O governo acompanhou todo o julgamento de forma democrática e apoiando todo o trabalho do Poder Judiciário. Mas este foi um caso policial que já saiu da esfera da estrutura da Segurança Pública e, conseqüentemente, saiu da esfera do Poder Executivo e foi entregue ao Poder Judiciário, que deu o encaminhamento legal que o caso requer. - O senhor acha que este crime pode ter maiores repercussões políticas? - Não acredito. Não quero crer que o julgamento dos acusados deste bárbaro crime venham alterar o quadro sucessório. Evidentemente que a sua pergunta foi com base em algumas acusações feitas a um dos candidatos, não é...? Mas pelo que percebi no noticiário e pelos informes que recebi, as acusações foram feitas sem provas e na base do ?ouvi dizer?. Por isso, acho que essas coisas que ocorreram durante a fase do julgamento pelo Tribunal do Júri, não vão mudar este quadro que já está colocado para a disputa eleitoral de outubro. - Com relação às preocupações de alguns candidatos sobre a possibilidade de violência na eleição, o governo está montando estratégia para pontos que já preocupam a Justiça Eleitoral? - O governo está, permanentemente, atento. Mas a estratégia para garantir a segurança dos eleitores, candidatos e das autoridades envolvidas no processo será a mesma empregada nas eleições de 2000 e 2002, no governo Ronaldo Lessa. E veja que em 2002 Ronaldo foi candidato, disputou a reeleição no exercício do cargo e nem por isso o sentido democrático do processo eleitoral foi desviado. - Mas em Minador do Negrão o clima pré-eleitoral anda tenso. Tanto que no começo do mês o segundo secretário da Mesa Diretora da Assembléia Legislativa, deputado Cícero Ferro (PMDB), sofreu duas emboscadas no mesmo dia. O governo vai intervir naquela região para garantir a paz eleitoral? - Olha, a questão de Minador do Negrão é pontual. Claro, não deixa de haver a preocupação do governo porque há uma querela política na região. Mas o problema naquele município envolve uma questão familiar. A posição do governo é de garantir todos os esforços para esclarecer a tentativa de homicídio contra o deputado Cícero Ferro, prender os mandantes, os executores do atentado; enfim, estamos cumprindo a missão que cabe ao próprio governo. - Hoje há uma disputa tensa entre candidatos a prefeito do Interior. Eles se ameaçam, se agridem verbalmente, se dizem ameaçados e levam preocupação à população... - Como disse antes, o governo está atento. Nos pontos de tensões, o governo está trabalhando: conversa com as lideranças políticas e age em comum acordo com os poderes Judiciário e Legislativo. É importante destacar, também, que não se faz eleição livre e democrática sozinho. A eleição é feita com a harmonia e a junção de esforços dos três poderes. Acho que este momento de harmonia e entendimento que vivemos aqui no Estado, entre os poderes, é um sinal de que as coisas estão caminhando bem e vão continuar assim por um bom tempo. - Mas haverá um plano de segurança? O governador Ronaldo Lessa e o Conselho Estadual de Segurança e Cidadania já determinaram aos órgãos de segurança que preparassem um plano para a eleição. Mas, não tenho dúvida que a eleição de Alagoas será tão tranqüila como as duas últimas. - Os poderes vão se reunir para discutir o processo eleitoral? - Isso já vem acontecendo naturalmente. Como a gente vive um momento de entendimento e muita harmonia, esta conversa é algo natural, o governo tem feito isso constantemente.