Política
Governo usa agenda social para abafar caso Diniz
Brasília - O governo federal decidiu antecipar para julho próximo a meta de atendimento do programa Bolsa Família prevista para o final deste ano. A idéia - primeira ação da estratégia governista de minimizar os impactos do caso Waldomiro Diniz com uma agenda ?positiva? - é levar o programa a 901 mil famílias até o final deste semestre. A meta consumirá R$ 491 milhões, elevando para R$ 5,1 bilhões os gastos com o programa. De acordo com o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, serão 150 mil famílias atendidas nos meses de março e abril, 200 mil em maio, 250 mil em junho e 300 mil em julho. No ano passado, foram 3,6 milhões de famílias incluídas no Bolsa Família ?que paga R$ 50 para cada uma e que unifica os programas Bolsa Escola, Bolsa Alimentação, Auxílio Gás e Cartão Alimentação (criado com o Fome Zero). ?É uma decisão de governo. O presidente, na reunião de hoje (ontem) de manhã?, falou: ?Eu quero incorporadas, até julho de 2004, 901 mil famílias no programa?, afirmou o ministro, que negou vínculo entre a medida e o plano do governo para reduzir os efeitos do caso Waldomiro. ?Não é bom para ninguém vincular as questões sociais a questões menores de denúncias.? Ação positiva O chamado ?núcleo duro? - formado pelos ministros José Dirceu (Casa Civil), Antonio Palocci (Fazenda), Luiz Gushiken (Secretaria de Comunicação), Luiz Dulci (Secretaria Geral) e Aldo Rebelo (Coordenação Política)? optou por agilizar programas e ações governamentais para criar uma imagem de que não há paralisação no governo e abafar o caso Waldomiro. Patrus Ananias disse também que as novas 901 mil famílias serão de grandes centros urbanos e é uma etapa do ambicioso plano do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de atender no Bolsa Família todas as pessoas que estão abaixo da linha da pobreza até 2006. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) dão conta de 11 milhões de famílias (55 milhões de pessoas) nessa situação. No segundo semestre, o governo quer trazer para o Bolsa Família cerca de 2 milhões de famílias que estão incluídas no Bolsa Escola. Ao anunciar ontem a antecipação da meta de famílias a serem beneficiadas pelo programa Bolsa Família, o ministro Patrus Ananias, abriu, de forma indireta, a possibilidade de uso político do benefício (de R$ 50) durante as eleições municipais deste ano. O ministro disse não apostar que o programa seja usado politicamente, mas, ao fixar como critério de atendimento a agilidade na apresentação do cadastro elaborado pelas prefeituras, Ananias admitiu que possam haver manipulações. ?Nenhum critério, nenhuma referência é absoluta?, afirmou. ?Não podemos deixar de fazer as coisas por conta de o controle não ser perfeito.?