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Lessa defende Marcos Vieira e se preocupa com Loteal

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MARCOS RODRIGUES A última cartada do governador Ronaldo Lessa (PSB) para definir o nome do partido que sucederá Kátia Born na Prefeitura de Maceió foi dada na semana passada. Ele promoveu um remanejamento na Secretaria de Educação, que será dirigida a partir de amanhã pelo ex-secretário de Regiões Metropolitanas, Maurício Quintella. Ele substitui o professor Willams Batista, que retorna para a universidade. Já o vereador Marcos Vieira ocupa o lugar de Quintella para tentar ganhar mais projeção e viabilizar seu nome como candidato do partido. Lessa também demonstra preocupação com a medida provisória que inviabilizou o funcionamento da Loteal. Já quanto ao envolvimento de José Dirceu com Waldormiro Diniz, ele classificou como ?perseguição? e recomendou ao PSB que não dê apoio à investigação que poderá ser deflagrada em forma de CPI. - Governador, a emenda do governo federal que acabou com os bingos atingiu de que forma a Loteal? O senhor se sente traído por este gesto do governo? - Traído não (risos). Mas eu estou preocupado. Porque da Loteal, com os recursos advindos do que ela arrecada, eu dou sopa a muita gente. Estava inclusive ampliando a fábrica de sopa para atingir o Interior. Leite que nós distribuímos. A casa de passagem (que atende crianças em situação de risco), também mantenho com esses recursos. Isso só vai me trazer prejuízos porque vou ter que tirar dinheiro do orçamento para cobrir estas áreas. - Qual a solução então? - Eu espero que o Lula corrija o que ele quer corrigir. Se quiser estatizar, por exemplo, faça isso. Mas tem que mandar logo para o Congresso para que ele vote, porque a Loteal fechada, para nós, traz um prejuízo grande. Além disso, vale lembrar que essa medida gera desemprego. Não vamos pensar assim. Entendo que se há problemas vamos corrigir e prender quem está errado. - E o possível envolvimento do ministro José Dirceu? - Como ele pode ser responsável pela atitude de seu secretário? Se ele estiver envolvido, isso vai aparecer. Mas é grave a desconfiança. Quero fazer um apelo aos parlamentares de que não o atinjam por causa desse episódio. Espero que meu partido pense nisso. - Sobre política local, qual o objetivo do senhor ao indicar Maurício Quintella para a Secretaria de Educação e Marcos Vieira para a Secretaria de Regiões Metropolitanas? - A ida do Maurício para a Educação já estava prevista. Ele deveria substituir o Willams que sairia em abril. Eu antecipei para que o Marcos Vieira, que entra no lugar de Maurício na Metropolitana, tenha a possibilidade de mostrar à sociedade sua capacidade. As pessoas só o vêem como vereador, mas esquecem do Marcos que foi secretário de Planejamento, Educação, arquiteto, professor da universidade. Ou seja, o pré-candidato que eu estou indicando para ser prefeito de Maceió. Por isso quero que em 30 dias o povo veja sua versatilidade e competência, preparo para administrar. Para isso, porém, só tinha um jeito: colocá-lo na vitrine. - Esse seu gesto pode ser interpretado como uma resposta à saída de Kátia Born, que vai deixar Sexta-Feira, seu candidato, durante 90 dias administrando a cidade? - Não. Isso é uma forma de mantê-lo em exposição. Assim como a Kátia resolveu dar ao Sexta essa oportunidade. Eu até já havia dito que se ele governasse cinco anos era uma forma justa e de parceria. Veja como faço com o Abílio (vice). Acho que ela está certa, pois acredita que o seu vice vai despontar melhor que o Marcos. Mas eu acho que não. Tudo isso acontece dentro de um acordo de unidade e estaremos juntos na hora certa. O compromisso com Maceió é maior que qualquer candidato. - Se o senhor pudesse dirigir a palavra ao eleitor de Maceió, qual seria o argumento para convencê-lo a votar e manter o PSB no comando da capital? - Eu teria e tenho argumentos para defender o Sexta. Ele está preparado para isso, tanto que está na prefeitura. Inclusive, eu disse que a pesquisa que eu vi não faz justiça a tudo que ele e Kátia fazem juntos. Mas eu estou apostando. Tem uma pessoa que é a bola da vez. Em 96, por exemplo, o povo queria um mulher. O Marcos estava, na época, à frente de Kátia e eu não o escolhi. Na minha avaliação eu acho que agora o perfil do candidato é de alguém como ele. Mas eu não sou o dono da verdade. - Então, enquanto tempo será possível o PSB definir o nome do partido para a sucessão? - É um erro estabelecer prazo. Tentamos fazer isso e causamos uma confusão. Pessoalmente, acho que o prazo é o da lei. Mas se pudermos em 60 dias definir o nome é melhor do que em 90. Eu não tenho idéia. - Como o senhor vê a possibilidade de o PSDB indicar um nome para a disputa? - Com todo o respeito. Eu já disputei com o senador Téo Vilela. Quando disputei a prefeitura eu ganhei dele. Acho que é um direito do partido. Mas acho estranho, porque o senador não demonstrava isso. Até porque ele ainda tem seis anos de Senado. Mas vamos conversar. Ele já ligou para mim e é um aliado nosso. - Quais serão os termos dessa conversa com os tucanos, já que eles fazem parte do governo? - Só no município eles têm cinco secretarias. Eu não sei, porque foi ele quem me ligou chamando para conversar. Então primeiro eu tenho que ouvi-lo. Só posso agora deixar claro que acho legítimo esse pleito. - O senhor acha normal, no Interior, o PMDB e PSDB apoiarem candidatos que não sejam os indicados do governo? - Acho. Mas vou tentar mostrá-los que isso é um equívoco. Se o Renan avançou numa proposta mais ligada a gente, depois de passarmos dezoito anos em campos opostos, devemos consolidar isso na prática e não só no discurso. É preciso que estejamos juntos e construindo um projeto que não nos leve de volta ao atraso. Há uma caminhada do senador hoje para a esquerda, além do fato de partidos como o PT estarem crescendo. Outro detalhe é que a direita está cada vez mais isolada. Os setores mais conservadores foram os que mais construíram a divisão social e exclusão. Por isso, precisamos que Renan e Téo estejam em nosso projeto de garantia de que o povo não seja mais tratado como antes. - O PL tem a possibilidade de lançar uma candidatura de oposição. Como o senhor vê isso? - Eu pretendo não ver. O PL tem até secretário nosso. Há uma aproximação. O João Caldas tem se aproximado. Tem horas que ele faz críticas, mas tem ajudado o governo. Por isso eu espero que o PL não seja nosso adversário, mas... - Em Arapiraca o PT pode se aliar ao PSB. Em Maceió qual a estratégia para tentar atraí-los para uma aliança? - Eu estou começando a conversar com o PPS e com o PC do B. Depois vou fazer contatos para falar com o PT. Mas essa distância nossa não ajuda Alagoas. Toda vez que encontro com Lula, José Genoíno e Zé Dirceu eles perguntam sobre a situação aqui. Então existe até uma ansiedade em Brasília para fazermos esse casamento. No que depender de mim, farei o possível. - Em duas cidades do Interior dois prefeitos, Luiz Daniel (S. José da Laje) e José Aurélio (Girau do Ponciano) foram afastados por improbidade. Que recado o senhor manda para os candidatos do partido? - Mando um só: não venham para o partido tentando fazer coisas irregulares pensando que terão meu apoio. Temos compromisso com a sociedade. Mas quero separar os dois casos. No caso da Laje, o próprio Tribunal de Contas (TC) demonstrou que não existem irregularidades. Parece até que o problema lá é muito mais político. Já em Girau o TC não disse a mesma coisa. E se for comprovado algo, ele será afastado do partido. - O senhor vai mudar a liderança do partido na Assembléia? - Sim. Quero que a deputada Maria José Viana assuma essa função. O deputado Marcos Ferreira pode me ajudar de outra forma. Ela já firmou seu nome na Educação. Agora quero ela sendo minha líder lá. Quero ver a força da ex-líder sem-teto que proferia grandes discursos em praça pública.

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