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Amea�ados de morte perdem seguran�a da PM

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GILVAN FERREIRA As cinco autoridades responsáveis pela desarticulação da gangue fardada, comandada pelo ex-tenente-coronel Cavalcante, estão sob ameaça de perderem a segurança do Estado. Há dois meses, o ex-governador Manoel Gomes de Barros, o ex- comandante da Polícia Militar, coronel Ailton Pimentel, os juízes Hélder Loureiro, Jerônimo Roberto e o promotor Luiz Vasconcelos enfrentam dificuldades para manter os policiais militares que fazem a segurança pessoal. Os policiais estão retornando aos quartéis alegando que o comando da Polícia Militar cortou as gratificações, o que representaria uma perda entre 15% e 20% do salário líquido. Além disso, eles alegam que estão sendo preteridos em promoções. ?Nós colocamos nossas vidas em jogo para defender essas autoridades. Em contrapartida, o comando tirou a única vantagem que tínhamos, uma gratificação que poderia chegar a 20% dos nossos salários. Também estamos enfrentando prejuízos nas promoções, além dos riscos de sofrermos represálias da gangue fardada?, diz o policial. Medo e revolta O ex-governador Manoel Gomes de Barros (Mano) disse que dos 10 militares que faziam sua segurança, quatro já retornaram ao quartel da Polícia Militar e não foram substituídos. Mano cobrou do governador Ronaldo Lessa (PSB) uma posição sobre a retirada dos policiais militares. O ex-governador lembrou que as medidas que tomou quando estava no governo foram no estrito cumprimento do seu dever e que agiu em interesse da sociedade. O ex-governador ainda criticou a postura do atual governo e exigiu a implantação de medidas para garantir a segurança das autoridades. ?O governador tem que tomar uma providência e resolver essa situação. Quando ele deixou a Prefeitura de Maceió, também se sentia ameaçado, e nós disponibilizamos 10 militares para a sua segurança. Já perdi quatro PMs que estavam na minha proteção e acho que em breve terei que pagar por segurança privada?, reclamou o ex-governador Mano. O juiz Hélder Loureiro, responsável pela primeira condenação do ex-tenente-coronel Cavalcante, confirmou que também sofre com a decisão do comando da PM. Ele diz ter receio de que os policiais militares deixem a sua segurança. Segundo o juiz, quatro dos 13 militares já lhe informaram que estão retornando ao Batalhão de Operações Especiais (Bope) . Desabafo Em sua primeira entrevista à imprensa depois de ter deixado o comando da Polícia Militar de Alagoas, em 4 de janeiro de 1999, o coronel Ailton Pimentel mostrou sua contrariedade com a atual situação e apontou os riscos de ser vítima da vingança de integrantes da gangue fardada. Na época, além do ex-tenente-coronel Cavalcante, o coronel Pimentel expulsou mais de 60 militares envolvidos com a gangue fardada e quadrilhas de roubo de bancos e cargas, além de crimes de pistolagem. Segundo Pimentel, ele já foi vítima de dois atentados, um na AL-101 Sul, em Barra de São Miguel, e outro na saída do município de Barra de Santo Antônio, quando dois veículos tentaram fechar o seu carro e o de sua escolta pessoal. O ex-comandante conta que o segundo atentado só não foi consumado devido à reação dos policiais militares que o acompanhavam e que ainda chegaram a trocar tiros com os bandidos que fugiram antes da chegada de reforço policial. Já no primeiro caso, o carro do coronel foi seguido, mas abriu distância do veículo suspeito. À época, a Polícia Federal chegou a investigar a denúncia do coronel, mas não conseguiu identificar e prender os responsáveis pelo ataque ao ex-comandante. O coronel Ailton Pimentel revela que tem que pagar por sua segurança e se sente aprisionado e com menos liberdade que os integrantes da gangue fardada que cumprem penas no Presídio Baldomero Cavalcanti. Pimentel diz que a família vem sugerindo que ele deixe Alagoas, mas promete que vai continuar morando no Estado, mesmo sugerindo que corre risco de morte. ?A minha vida e a da minha família mudaram definitivamente. Nós vivemos aprisionados. Pelas informações que tenho, os bandidos que estão no Baldomero Cavalcanti têm mais liberdade. Não tenho mais vida social, a minha vida virou uma rotina. Vivo dentro de casa. Às vezes vou à minha fazenda em Atalaia ou aproveito um fim de semana na Barra de São Miguel. A retirada da segurança não pode continuar. Eu espero que o governador Ronaldo Lessa tome alguma providência para garantir a nossa proteção. O próprio comandante da PM disse que a resolução desse problema depende do governador. Atualmente, estou pagando para manter o pessoal da segurança?, revelou Pimentel. Conselho de Segurança O comandante da Polícia Militar de Alagoas, coronel Edmilson Cavalcante, garantiu não haver motivos para que os policiais deixem a segurança das autoridades. O comandante alega que vem cumprindo a Lei das Organizações Básicas da Polícia Militar (LOB), que estabelece as regras de administração da corporação, que incluem o pagamento de gratificações. Ele sugere que qualquer tipo de mudança dependeria do governador Ronaldo Lessa e do Conselho de Segurança Pública do Estado.

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