Política
Lessa quer pagar d�vida com a Uni�o comprando terras para reforma agr�ria
ARNALDO FERREIRA O governo de Alagoas quer destinar para a compra de terras com fins de reforma agrária parte dos 15% de sua receita que fica retida, mensalmente, no Tesouro Nacional, a título de pagamento da rolagem da dívida que tem com o governo federal, superior a R$ 3,5 bilhões. Assim, o Estado espera assentar cerca de 10 mil famílias de trabalhadores rurais que vivem acampados e espalhados pelo interior alagoano. Uma proposta nesse sentido é negociada com a Superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra-AL) e vai ser novamente encaminhada ao ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, nesta sexta-feira. O ministro chega em Maceió na sexta às 11 horas. Às 11h30, participa de uma reunião regional, no Palácio Floriano Peixoto, ao lado do governador Ronaldo Lessa (PSB), com secretários estaduais de Agricultura, coordenadores nordestinos do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf) e prefeitos dos municípios castigados pelas chuvas que caíram na região em janeiro. A proposta de usar parte da dívida para financiar a reforma agrária em Alagoas não é nova. Nasceu no ano passado, durante uma reunião em Brasília, entre o governador Ronaldo Lessa, o ministro Miguel Rosserto e o ex-superintendente do Incra/AL, Mário Agra. Lessa gostou da idéia de vender ao governo federal parte dos imóveis rurais que recebeu como garantia em empréstimos milionários que quebraram o Banco do Estado (Produban), em 1996. Mas, como os imóveis fazem parte de ações judiciais, a burocracia jurídica impediu a negociação com o Incra. Mesmo assim, Lessa não desiste de tirar o projeto de reforma agrária do papel. Na sexta-feira da semana passada, o então governador em exercício, Luis Abílio de Sousa Neto (PSB), numa reunião com o superintendente em exercício do Incra/AL, Jorge Tadeu, propôs destinar cerca de R$ 2 milhões mensais, da rolagem da dívida, para a aquisição de terras. A arrecadação média mensal de Alagoas gira em torno de R$ 150 milhões. O Estado destina algo em torno de R$ 22,5 milhões para o pagamento da dívida. O superintendente do Incra, Jorge Tadeu, gostou da proposta. Porém, fez ver a Luis Abílio que a questão precisa ser aprovada pela Secretaria do Tesouro Nacional e pelos ministérios da área econômica. De qualquer forma, Tadeu se ofereceu para encaminhar a proposta, na reunião do Pronaf de sexta-feira, com o ministro Miguel Rossetto. ?A proposta de pagar parte da dívida de Alagoas com terras para reforma agrária é boa. Mas depende da aprovação do Tesouro Nacional?, avaliou Tadeu, ao confirmar que teve um encontro no fim de semana com o governador Luis Abílio. ?A proposta tem a simpatia do ministro Miguel Rossetto?, garantiu o presidente do diretório estadual do PT, deputado Paulo Fernando dos Santos (Paulão), ao lembrar que, no ano passado, o ex-superintendente do Incra, Mário Agra, numa reunião em Brasília, apresentou a idéia ao governador e ao ministro do Desenvolvimento Agrário. ?Alagoas é um Estado pobre e com os piores indicadores sociais. Se a gente pode fazer a reforma agrária com este tipo de negociação, acho que não haverá obstáculo federal?, acredita o deputado Paulão. Rosseto retorna para Brasília às 17 horas de sexta-feira.