Política
Ministro anuncia compra de fazenda para sem-terra
BLEINE OLIVEIRA FÁTIMA ALMEIDA Somente depois de ter conseguido que o ministro do desenvolvimento Agrário, Miguel Rosseto, assumisse o compromisso de resolver pendências relacionadas aos processos de reforma agrária em Alagoas, inclusive assinando um documento, é que os trabalhadores rurais organizados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) desocuparam a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Eles haviam ocupado o prédio na manhã de ontem, logo após o desembarque do ministro, que veio a Maceió participar do Fórum de Secretários de Agricultura do Nordeste. Por mais de uma hora, os sem-terra discutiram com Miguel Rosseto uma saída para os problemas que impedem a reforma agrária em quatro áreas reivindicadas pela CPT. Satisfeitos com os resultados da reunião, eles desocuparam as dependências do Incra e voltaram aos acampamentos. Os trabalhadores rurais reivindicavam o fim dos impasses que emperram a desapropriação da Fazenda Flor do Bosque, na Zona da Mata alagoana. A CPT conseguiu, do ministro, a garantia de que o governo federal vai liberar dinheiro para a compra da área. ?Ele prometeu que não será decreto, mas um repasse ao Estado através de Lei Ordinária?, disse o coordenador da Pastoral na região, Walter Araújo. Sobre a Fazenda Mumbuca, em Murici, o ministro determinou ao superintendente em exercício do Incra, Tadeu Jatobá, que, junto com a Polícia Federal, promova uma reunião com o proprietário da área para resolver as pendências que impedem a compra das terras. Segundo Walter Araújo, o ministro determinou, ainda, que a PF investigue denúncias de que quatro grileiros ameaçam o proprietário da fazenda exigindo 30 hectares da terra. ?O ministro determinou que a Federal investigue outros casos de violência contra os sem-terra?, revela o coordenador da CPT. Ele destacou a declaração do ministro de que o II Programa Nacional de Reforma Agrária será cumprido pelo governo do presidente Lula. ?Há, entre os trabalhadores, o temor de um retrocesso, mas o ministro assegurou que a reforma agrária segue em frente?, disse Walter Araújo. Invasão Cerca de 300 trabalhadores rurais ligados à Comissão Pastoral da Terra (CPT) ocuparam a sede do Incra, no centro de Maceió, em busca de uma solução para os impasses que cercam a desapropriação da Fazenda Flor do Bosque, na Zona da Mata. Eles vieram dispostos a falar com o ministro da Reforma Agrária, Miguel Rosseto, que chegou à tarde em Maceió, movidos pela indignação por causa de uma ordem de reintegração de posse, expedida na última quarta-feira pelo juiz de Flexeiras, Gilvan Santana. De acordo com o líder da CPT, Carlos Lima, a fazenda foi ocupada em novembro 1998, vistoriada em janeiro de 99 e, em fevereiro do mesmo ano, já era dada como improdutiva, num dos processos mais rápidos da história da reforma agrária, segundo sua avaliação. Mas o Incra não conseguiu desapropriar e muita coisa mudou de lá para cá, inclusive a paisagem, que se encheu de cana, tornando a área produtiva, conforme declara o laudo da última vistoria realizada.