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Incra/AL anuncia R$ 41 milh�es para assentar tr�s mil fam�lias

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ARNALDO FERREIRA O governo federal vai aplicar R$ 41 milhões no programa de reforma agrária de Alagoas em 2004. A garantia é do novo superintendente, indicado, do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra/AL) Gino César de Menezes Paiva. Ao chegar ontem de Brasília, ele participou da abertura do I Seminário do Plano Nacional de Reforma Agrária. Mas os militantes sem-terra não acreditam nas promessas do Incra e ameaçam radicalizar suas ações se até o fim de março a reforma agrária continuar emperrada. O seminário reúne, há dois dias, no auditório do Hotel Ouro Branco em Maceió, cerca de 50 técnicos do Incra e integrantes dos movimentos de trabalhadores sem-terra, que dizem representar cerca de 10 mil famílias de acampados. O presidente nacional do Incra, Holf Hackbart, ainda não tem a data definida da posse de Gino César. Mas garantiu que o primeiro ato do novo superintendente de Alagoas será promover uma reunião em Brasília, com o empresário rural João Jatobá, proprietário de 23 mil hectares da usina de açúcar Peixe (falida), que ficam nos municípios de Joaquim Gomes, Flexeiras, Murici e União dos Palmares. O Incra quer iniciar o processo de aquisição do imóvel para fins de reforma agrária. A idéia é assentar na área duas mil famílias de sem-terra. Já o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, prometeu em Brasília repassar os recursos para o governo de Alagoas adquirir 400 hectares de terras da fazenda Flor do Bosque, em Flexeiras. O imóvel está arrendado à fazenda Santa Clotilde, e o proprietário Waldemir dos Santos não aceita como pagamento os títulos da Dívida Agrária (TDAs). Ele quer receber em dinheiro. O superintendente adjunto do Incra, Jorge Tadeu, trabalha para acalmar os movimentos. ?Acredito que até o fim do ano deveremos assentar cerca de três mil famílias?, anuncia Tadeu ? e confirma Gino César. No ano passado, o Incra anunciou que iria assentar 1.680 famílias e fechou o ano com 70 famílias assentadas. Pessimismo O Plano Nacional de Reforma Agrária do presidente Lula pretende assentar 400 mil famílias até 2007. Na versão alagoana, o Plano objetiva promover a ?paz, a produção e a qualidade de vida no campo? e assentar três mil famílias este ano. Além dos técnicos do Incra, o seminário reúne militantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), do Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL) e da Comissão Pastoral da Terra (CPT). Os movimentos contabilizam 10 mil famílias acampadas. ?Paciência tem limite. Vamos esperar até o fim deste mês para o Incra nos dá a posse de duas fazendas em Joaquim Gomes e São Luiz do Quitunde. Se isto não acontecer, vamos radicalizar?, prometeu o coordenador do MTL, irmão Antônio Francisco de Lima. Ele lembrou que, no mês passado, o MTL bloqueou a BR-101 Norte e AL-101 Norte. ?O Incra fala que vai assentar três mil famílias ainda este ano, mas eu não acredito?, disse irmão Antônio. Outro cético é Valter Araújo, coordenador regional da CPT. ?Nós temos 1.300 famílias que há seis anos acreditam nas promessas do Incra. Se as coisas continuarem como estão vai haver movimentação forte no segundo semestre?, alertou Valter Araújo. Já os militantes do MST preferiram ouvir mais e falar menos. Mas um camponês deixou claro para os dirigentes do Incra: ?Paciência tem limites. O MST tem mais de seis mil famílias embaixo da lona preta?.

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