Política
Governo cria facilidade, mas n�o atrai compradores de precat�rios
A novela sobre a negociação dos precatórios (dívida trabalhista que o governo do Estado tem na ordem de R$ 6 bilhões com os servidores) ainda está longe de chegar ao capítulo final. O governador Ronaldo Lessa (PSB) admitiu, ontem, que mesmo criando condições favoráveis, faltam compradores. Por outro lado, revelou também que existem entraves burocráticos que dificultam a negociação dos precatórios com empresas interessadas em comprá-los. ?Cada vez que a gente apresenta um modelo para negociá-los com a iniciativa privada, aparece uma proposta de modificação, porque dizem que falta alguma coisa. Agora estamos fazendo uma nova versão para esta transação se tornar mais atraente?. Lessa garante que Alagoas tem a melhor legislação do País para facilitar a transação dos precatórios, ao ponto, segundo ele, de reduzir em 5% a margem de lucro em relação às operações semelhantes nos estados do Ceará e Mato Grosso. ?O que há é o seguinte: mesmo reduzindo o percentual e criando uma legislação atraente, não encontramos clientes para comprar os nossos precatórios?. O governador revelou também que a sua assessoria jurídica e a Procuradoria Geral do Estado estão estudando formas que lhes garanta aumentar a cota de precatórios para ser colocado no mercado (atualmente a cota é de R$ 100 milhões), e sem causar problema na economia e no caixa público. Lessa lembrou as crises dos governos passados. ?Nós já sofremos demais com operações desastrosas com títulos públicos e hoje estou como gato escaldado com medo de água fria. Nós não podemos dar um passo errado, porque estamos falando de uma transação estimada em R$ 6 bilhões. Reparem só: toda a dívida do Estado, que vai ser paga em 30 anos, envolve R$ 4,5 bilhões. Se a gente fizer a coisa errada, o Estado não vai suportar e aí vamos voltar a viver aquela situação de atraso de salário e de crise generalizada em todos os setores produtivos e de prestação de serviço?, lembrou. Fez questão de frisar, também, que esses precatórios são, segundo Lessa, heranças de governos passados. ?Eu não devo absolutamente nada a ninguém. Já honrei muita coisa do passado, vou honrar o que o Estado deve aos servidores. Mas não abro mão de fazer a transação dos precatórios com segurança e sem comprometer a estabilidade econômica, nem comprometer as gerações futuras e muito menos a prestação dos serviços essenciais nas áreas de Saúde, Educação e Segurança?, enfatizou o governador, durante entrevista coletiva que concedeu quando visitava, ontem de manhã, a área onde será construída a nova Central de Abastecimento de Alagoas (Ceasa), no bairro da Forene. O governador esteve ao lado do secretário das Regiões Metropolitanas, vereador Marcos Vieira, e do prefeito interino Alberto Sexta-Feira. São os dois pré-candidatos a prefeito do PSB e fazem de tudo para ganhar visibilidade. Japoneses Com relação à visita de uma delegação japonesa anteontem, Lessa explicou que há uma expectativa com relação ao mercado internacional do álcool. ?Se o Japão e a China inclinarem para compra de combustível alternativo, toda a produção nacional seria insuficiente para atender esses dois mercados do Oriente?. (AF)