Política
Davino admite problemas no IML, mas critica diretor do instituto
ARNALDO FERREIRA O secretário de Defesa Social, delegado Robervaldo Davino, se disse ontem ?indignado? ao saber que as necropsias no Instituto Médico Legal Estácio de Lima (IML) continuam sendo feitas com uma velha faca-peixeira e serra de cano. Davino estranhou o flagrante fotográfico mostrado em reportagem da GAZETA DE ALAGOAS, edição de domingo, onde numa das fotografias aparece a mesa de necropsia com alguns instrumentos usados para abrir os cadáveres, dentre eles serra e faca-peixeira. ?Não era para aquelas coisas (a faca e serra) estarem ali. Parece até maldade de um irresponsável. Até porque repasso, mensalmente, R$ 3,8 mil ao Instituto Médico Legal?. Davino explicou que a direção do IML recebe R$ 1.900 para as compras emergenciais e a mesma quantia vai para o Centro de Perícias Forenses. O centro administra os institutos de Criminalística, de Identificação e de Perícia Criminal. ?Como é que agora vem esta história de falta de equipamentos? Quero saber o que está acontecendo no IML?, avisou. Davino reconheceu, porém, que o prédio onde funciona o IML é muito antigo e o Estado já tem um estudo técnico visando à transferência do instituto para um outro local. ?O projeto já está pronto. Mas enquanto o projeto não sai, já compramos um carro novo para serviços emergenciais; seis computadores, um freezer, condicionadores de ar, um aparelho de radiocomunicação. Agora, não dá para consertar em um ano o que estava abandonado há 50 anos. Estamos fazendo as coisas devagar, dentro da lei de licitações e de acordo com a capacidade financeira do Estado?, desabafou o secretário de Defesa Social Com relação aos choques nas paredes do velho prédio do IML, explicou que o fato acontecia em épocas de chuva. ?Mas já mandamos consertar os problemas de infiltrações?. Ainda visivelmente contrariado com alguns técnicos do IML, disse o secretário: ?Não sou legista para saber qual seria o melhor equipamento para necropsia. Alguns dizem que o equipamento ideal é mesmo uma faca. Mas, será que o dinheiro que repasso mensalmente não dá para comprar um equipamento melhor que aqueles que aparecem na fotografia??, questionou o secretário Robervaldo Davino, repetindo que vai cobrar explicações oficiais de sua equipe. ?Todos os pleitos feitos até agora pelos técnicos do IML estamos atendendo. Por isso, não aceito as críticas de alguns servidores?, desabafou, ao garantir que o governo Ronaldo Lessa tem compromisso e vai construir um novo IML. A reportagem da GAZETA mostra que o antigo prédio do IML antes pertencia ao 20º Batalhão de Caçadores (20º BC, hoje 59º Batalhão de Infantaria Motorizado). O primeiro diretor do Instituto foi José Lages Filho, que, em homenagem ao alagoano pioneiro da medicina legal, o batizou de Estácio de Lima. Quem criou o Instituto Médico Legal foi o também pioneiro professor Ib Gato Falcão, que está completando 90 anos. A primeira necropsia de repercussão nacional aconteceu em 1938, quando o IML recebeu as 11 cabeças dos cangaceiros do bando de Virgulino Ferreira, o Lampião, executado em Angico (Sergipe) em 28 de julho de 1938.