Política
ELEIÇÕES: CHILENOS ESCOLHEM INDEPENDENTES E OPOSIÇÃO
Nas eleições deste fim de semana no Chile, os principais vencedores foram os candidatos independentes, que obtiveram 48 das 155 cadeiras da Assembleia que escreverá a Nova Constituição do país andino, ainda regido pela Carta Magna herdada da Ditadura do general Augusto Pinochet . O resultado foi uma grande derrota dos partidos tradicionais e também do presidente Sebastián Piñera, que declarou que o povo pede novas lideranças. “Não estamos sintonizados com as demandas dos cidadãos. É uma mensagem clara e forte ao governo e às forças políticas tradicionais. É nosso dever escutar com humildade e atenção”.
Dividida em duas listas, a esquerda conquistou 53 cadeiras, ainda assim abaixo dos dois terços que esperava. A direita também não conseguiu o que queria. Com 37 eleitos, os partidos que dão sustentação ao governo do presidente Sebastián Piñera buscavam atingir um terço das cadeiras para poder vetar aprovação de artigos, como aquele que podem pôr fim ao Estado subsidiário, modelo liberal adotado desde a queda de Salvador Allende, na década de 70. O mercado reagiu ao resultado das eleições. A bolsa chilena fechou nesta segunda-feira com queda de 9,3%, diante do que os economistas classificam como clima de incertezas.
Mudanças Sociais
Fruto de um plebiscito reivindicado em uma série de protestos em 2019, as eleições constituintes seriam realizadas no ano passado, mas foram adiadas para este mês em razão da pandemia do Coronavírus. As regras já definiram que a Assembleia Constituinte seria paritária em mulheres e homens, e que teria 17 membros de povos indígenas.
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A nova Constituição deve ser aprovada ou rejeitada em referendo com voto obrigatório até 2022.
Outro fator surpreendente foi a alta abstenção. No Chile, o voto não é obrigatório e apenas 43,35% dos 14,9 milhões de eleitores compareceram às urnas. Também estava em jogo a escolha de prefeitos, vereadores e governadores, função recém-criada no país. Atualmente, as regiões são administradas por intendentes designados pelo presidente.
Santiago
Considerada surpresa também a eleição da comunista Irací Hassler para gerenciar a mais importante comuna do Chile, Santiago. Filha de brasileira e com nome tupi-guarani, a então vereadora venceu o atual prefeito, Felipe Alessandri, do partido de direita Revolução Democrática.
O Chile voltará a viver o clima de eleições no segundo semestre, quando serão eleitos novos deputados federais, senadores e o novo presidente da República. Não há reeleição no Chile.