Política
Sergipe: funda��o alagoana sob suspeita de pl�gio em concurso
MARCOS RODRIGUES O concurso público para servidores do Poder Judiciário sergipano realizado no domingo (14) está colocando sob suspeita a Fundação Escola Superior do Ministério Público de Alagoas. Segundo um dos candidatos, o advogado Elber Batalha de Góes, as questões que foram utilizadas nas provas já constaram de outros concursos. A denúncia, que ganhou repercussão nacional, pode cancelar o concurso que envolveu 13.700 candidatos. ?Conseguimos comprovar que algumas das questões já haviam feito parte de outros concursos e algumas constavam na internet com as respostas, inclusive comentadas?, explicou o candidato. Ele entrou com um pedido de liminar na justiça sergipana pedindo a anulação do concurso. O pedido, até o fechamento desta edição, não havia sido julgado. Comissão Uma comissão formada por dois juízes analisa os recursos impetrados por outros candidatos. Evilásio Araújo Filho e Cristiano José Macedo em entrevista coletiva à imprensa sergipana, ontem, disseram que até o momento não existem razões efetivas para o cancelamento do concurso. Para os dois, o fato de questões terem sido ?plagiadas? não pode ser considerado grave porque não houve favorecimento. ?Ninguém se beneficiou disso?, afirmaram. Mas não é o que pensam os candidatos. A base dos pedidos de liminares atesta a quebra do ?princípio da competitividade?, no qual prevê que todos participassem do concurso em iguais condições. O fato de muitas questões já serem de domínio público compromete o processo seletivo. Organização A organização do concurso foi da Fundação Escola Superior do Ministério Público de Alagoas. Atualmente, ela é presidida pelo promotor Cyro Blatter e funciona de forma independente do MP. Porém, a elaboração das provas foi de responsabilidade da Faculdade de Administração de São Paulo. A GAZETA DE ALAGOAS tentou contato com o promotor durante toda a tarde de ontem, mas não obteve resposta. A promotora Failde Mendonça, responsável pela fiscalização de fundações do MP, também foi procurada para fornecer detalhes sobre a fundação do MP, mas não retornou às ligações. Justificativa O Tribunal de Justiça de Sergipe emitiu uma nota à imprensa com algumas justificativas para os questionamentos. A que mais chama a atenção é quanto à falta de exigência do edital do concurso ?que não determina que as questões formuladas devam ser inéditas ou exclusivas?. Além disso, o documento afirma que não existem provas de violação das questões, mas sim que a internet serviu de fonte para pesquisa. Nesta linha, a comissão do concurso afirma que ?seria surrealismo imaginar-se sempre questões inéditas e não utilizadas anteriormente?. Ao todo o questionamento dos candidatos que se sentiram prejudicados com as provas já somam 500 recursos na justiça. Como destes 80% se referem especificamente ao ?plágio? de questões de outros concursos, a decisão para um recurso servirá para os demais. Até a próxima semana, a comissão decide se anula ou não o concurso.