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Nº 5751
Política

Deputados apoiam uso da Canabis com fins medicinais

O tema é polêmico entre os apoiadores do governo federal, mas de extrema relevância para pais de portadores de doenças neurológicas e autoimunes. Isto porque o uso da cannabis com fins medicinais costuma ser associado a equivocada ideia de que é um passo

Por Marcos Rodrigues | Edição do dia 09/06/2021 - Matéria atualizada em 09/06/2021 às 04h00

O tema é polêmico entre os apoiadores do governo federal, mas de extrema relevância para pais de portadores de doenças neurológicas e autoimunes. Isto porque o uso da cannabis com fins medicinais costuma ser associado a equivocada ideia de que é um passo para a liberação da maconha. Basta ver que o tema foi discutido e aprovado na Comissão Especial da Câmara dos Deputados na última segunda-feira por 18 a 17, graças ao voto do relator do PL 399/15 deputado Luciano Ducci (PSB-PR). Ontem, pelo menos dois dos nove parlamentares alagoanos haviam se manifestado a favor da proposta por entender sua relevância científica e alternativa para a qualidade de vida dos pacientes.

Conhecedor do tema e da aplicação para enfermidades como Parkinson e Alzheimer, o deputado federal Pedro Vilela (PSDB) descartou que compreende as opiniões contrárias de quem teme associar essa discussão a "legalização da droga". Por outro lado, lembra que o texto é muito claro quanto ao que se está propondo e lamenta que a desinformação possa ainda criar a falsa premissa de que o está em debate envolve o uso recreativo e não o medicinal.

"Sou favorável, por acreditar que esse medicamento é o último recurso para familiares e pacientes de doenças gravíssimas, como Alzheimer e Parkinson. É compreensível a preocupação de quem considera essa ser a possibilidade de “legalização da droga”, mas uma simples leitura do texto aprovado serve para desmistificar esse entendimento, produto de uma desinformação quanto ao teor do projeto", defendeu Pedro.

Para reforçar o quanto a proposta é séria, ele também argumenta dos cuidados e o rigor que envolverá o plantio específico para a produção de remédios. A própria lei é clara quanto ao modo em que deve ocorrer, quais os profissionais que estarão envolvidos, bem como o preparo que levará ao produto final que será ministrado para os pacientes.

"Haverá rigor no plantio e continuará sendo crime a cultivação para fins recreativos – “a maconha” -, mas é preciso assegurar a acessibilidade a esse tratamento para milhares de brasileiros e brasileiras que sofrem com essas e outras doenças para as quais a cannabis medicinal tem efeitos já comprovados", lembrou o tucano.

Esse é inclusive um detalhe importante que quase sempre é esquecido pelos críticos com falas mais conservadores. A discussão no Brasil chega num momento em que o mundo já tem experiências exitosas com resultados devidamente acompanhados por especialistas. Um outro detalhe é que as medicações a base de cannabis já vinham sendo importadas por famílias brasileiras. O que se pretende é justamente facilitar o acesso, reduzir custos e propiciar controle pelo próprio governo, por meio de suas instituições do que está sendo feito.

Quem também não hesitou em se manifestar pelas redes sociais sobre a apoio à proposta foi a líder da bancada federal, deputada Thereza Nelma (PSDB). A experiência ao longo dos anos lidando com o segmento de saúde, a fez conhecer os dramas e preocupações das famílias. Por isso, deixou claro o seu posicionamento. "Sou a favor do PL que vai facilitar a produção de remédios de difícil acesso e alto custo", destacou a parlamentar.

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