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Política Agentes da Polícia Federal cumpriram mandados em Maceió, Girau do Ponciano, Arapiraca e Campo Grande

COORDENADOR DE HOSPITAL DE CAMPANHA É ALVO DA POLÍCIA FEDERAL

Operação Sufocamento mira esquema de desvios de recursos federais destinados ao tratamento da Covid-19

Por Jamylle Bezerra | Edição do dia 18/06/2021 - Matéria atualizada em 18/06/2021 às 04h00

Um coordenador do Hospital de Campanha do município de Girau do Ponciano foi um dos alvos da Operação Sufocamento, deflagrada pela Polícia Federal nessa quinta-feira (17), com o objetivo de desmembrar um esquema de desvios de recursos federais destinados ao tratamento da Covid-19. No total, dezenove mandados de busca e apreensão foram expedidos para serem cumpridos nos estados de Alagoas, Rio de Janeiro de Espírito Santo. De acordo com o delegado Luciano Patury, coordenador da Operação Sufocamento em Alagoas, além do referido agente público, um outro servidor, que atualmente está lotado no Governo do Estado, também está sendo investigado por participação no esquema, que simulou dois processos de dispensa de licitação para o fornecimento de uma central de gases e respiradores mecânicos para tratamento de pacientes com Covid-19 no Hospital de Campanha de Girau do Ponciano, nos quais foram contratadas duas empresas sediadas no Rio de Janeiro/RJ. Durante as investigações, os policiais federais averiguaram que uma das empresas contratadas sequer atuava no ramo de comercialização de central de gases, sendo, na verdade, um comércio de materiais de construção (blocos cimentícios). Ainda segundo o delegado, os respiradores adquiridos pelo município estavam com o prazo de validade vencido. Um dos fatores que chamaram a atenção da polícia foi a questão de todos os atos burocráticos para aquisição dos materiais terem sido feitos em um único dia. Além dos direcionamentos das licitações para tais empresas, houve desvio de recursos públicos também com a utilização de “laranjas” tanto para a execução dos desvios, como para a posterior ocultação das origens dos valores. Os policiais apuraram que uma dessas empresas seria de propriedade da esposa de um dos agentes públicos com direta e efetiva participação nas contratações e pagamentos sob investigação. “Descobrimos que o investigado era Coordenador do Hospital de Campanha e os recursos desviados do SUS, vinham dessa conexão. Além da já descoberta ligação entre a empresa da esposa e as simulações de contrato apresentadas”, pontuou o delegado durante entrevista na sede da PF. Durante a investigação, foi observado que o coordenador do Hospital de Campanha, em apenas cinco meses, entre abril e agosto de 2020, recebeu R$ 264.000,00 dos cofres de Girau do Ponciano/AL, à título de remuneração, inclusive com recursos oriundos do FMS/SUS. Os contratos em análise somam R$ 600.000,00 e os desvios, até o momento, somariam R$ 250 mil. Além das cidades de Maceió (3), Girau do Ponciano (5), Arapiraca (3) e Campo Grande, em Alagoas, também foram cumpridos mandados no Rio de Janeiro/RJ (4), Belford Roxo/RJ (1) e Alegre/ES (2). No Rio, é onde ficam as sedes das empresas envolvidas no esquema. Já no Espírito Santos, os mandados cumpridos foram contra duas pessoas que residem no estado. De acordo com a investigação, há robustos indícios da ocorrência dos crimes de desvios de recursos públicos federais (art. 1º, I, do Dec.-Lei n. 201/67), ilícitas dispensas de licitações (art. 89 da Lei 8.666/93 c/c art. 337E, do CPB) e lavagem de dinheiro (art. 1º, da Lei 9613/98), cujas penas máximas somadas totalizam 27 anos de prisão.

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