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Funda��o alagoana dever� processar autor de “clonagem”

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MARCOS RODRIGUES O promotor Cyro Blater, presidente da Fundação Escola Superior do Ministério Público (Fesmp), se reuniu, ontem, com o presidente do Tribunal de Justiça (TJ) de Sergipe, Manoel Pascoal Nabuco D?Ávila, para dar explicações sobre a acusação de ter organizado o concurso do poder com questões clonadas. Ele confirmou que o responsável pela elaboração das provas, professor Ian Becker, deverá ser processado pela fundação alagoana. Segundo Blater, o concurso está cercado de vários interesses e, por isso, os questionamentos ? que chegou a classificar como ?sem sentido?. ?Tem muita coisa envolvida. Quanto às provas, tem conversa demais e sem fundamento. Além disso, existe todo um ambiente político envolvido. Vale dizer que cerca de 500 pessoas, servidores do TJ, podem perder o emprego. Por isso, acredito, estão criando todo tipo de bobagens?, disse Blater. Ele revelou, também, que todas as etapas para a garantia da lisura do concurso foram seguidas sem nenhuma alteração. ?Existiu uma completa lisura em todo o processo. Tudo aconteceu dentro da legalidade. A prova inclusive, foi considerada com alto grau de complexidade?, sustentou o promotor. Indagado sobre se processará o responsável pela elaboração das provas, ele disse que isso não está descartado. Denúncia A seleção envolvia 14 mil candidatos para os níveis superior e médio. As provas aconteceram na semana passada e tiveram seu conteúdo questionado por 500 dos participantes. A alegação é de que alguns quesitos foram extraídos de provas já realizadas em outros concursos. O mais grave é que as perguntas copiadas foram respondidas e analisadas na Internet. A descoberta veio a público através de um dos candidatos, o advogado Élber Batalha de Góes Filho. Ele impetrou um pedido de liminar junto ao Tribunal de Justiça. O seu objetivo é garantir a anulação do concurso. A mobilização de Élber já conta com o apoio da OAB de Sergipe. Ontem, o presidente da entidade, Henri-Clay Andrade, considerou a seleção um ?escândalo?. Ele chegou a revelar que novas questões, desta vez envolvendo as provas de nível médio, também foram ?clonadas? da Internet. Segundo revelou, os quesitos foram retirados do site www.pcicon.concuros.com. br. Vazamento As críticas de Henri-Clay não se referem apenas às provas sob suspeita. Para ele, o anúncio por parte do Diário Oficial, na segunda-feira, de um concurso realizado no domingo, demonstra que o gabarito teria vazado antes mesmo da realização das provas. Além disso, ele destaca que os candidatos falaram ao celular durante as provas. Exagero ou não, o fato é que os candidatos se valeram da OAB sergipana e já conseguiram um apoio de peso na briga para anular o concurso: da própria OAB nacional. Ontem, o presidente da entidade, Roberto Busato, em pronunciamento sobre o concurso, também defendeu sua anulação. Embora o promotor Cyro Blater garanta que o concurso não foi prejudicado, mesmo tendo questões já respondidas na Internet, a expectativa em Sergipe é pela anulação de todo o processo, por causa da enorme repercussão do assunto. O reforço da OAB nacional aumenta essa expectativa dos milhares de candidatos que fizeram as provas. Até agora, porém, o TJ sergipano não deu pistas sobre a decisão que será tomada.

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