Política
Presidente da CEF dep�e no Senado
São Paulo, SP (Agência Folha) - Convidado para prestar esclarecimentos no Senado sobre o contrato firmado no ano passado pela CEF (Caixa Econômica Federal) com a multinacional Gtech para controle das loterias no país, o presidente do banco, Jorge Mattoso, disse ontem que o contrato ?aprisiona? a CEF e que não pode ser responsabilizado pela ação de Waldomiro Diniz. Waldomiro foi apontado em depoimentos de dois diretores da Gtech à Polícia Federal como intermediador da renovação contratual ocorrida em abril de 2003, quando era subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil. De acordo com o que falaram à PF Antonio Carlos Lino Rocha e Marcelo Rovai -respectivamente ex-presidente e ex-diretor de marketing da multinacional-, Waldomiro indicou a Gtech a contratação de serviços de consultoria de Rogério Buratti, dando a entender que seria uma etapa necessária para o aditamento do contrato. ?A única coisa que posso dizer aos senhores senadores é que não posso ser responsabilizado se alguém tentou vender terrenos na lua, nem se alguém tentou comprá-los??, afirmou Mattoso à CFC (Comissão de Fiscalização e Controle) do Senado. Waldomiro foi flagrado cobrando 1% de propina do empresário de loterias Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, quando negociava o financiamento de campanhas eleitorais em 2002. Mattoso disse ontem não conhecer nem ter mantido contatos com Cachoeira. Embora tenha dito que o contrato da CEF com a Gtech deixa o banco ?refém? da multinacional, Mattoso reafirmou que a renovação, realizada em abril de 2003, foi vantajosa para a CEF. Segundo ele, foi a primeira vez em dez anos que houve redução de 15% nos valores pagos à Gtech.