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SILÊNCIO MARCA COMPRA DE VACINA RUSSA PELO GOVERNO DE AL

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O silêncio marca toda a negociação do Estado de Alagoas para a compra da vacina russa Sputnik V. A Assembleia Legislativa, onde o Governo de Alagoas tem maioria, aprovou desde abril uma lei que viabiliza a aquisição do imunizante ao custo de US$ 21 milhões. Ela já foi até sancionada pelo governador Renan Filho (PMDB), em 26 de abril. De lá para cá, o fato novo foi a reunião do Consórcio Nordeste com estados do Norte, que juntos querem importar 39 milhões de doses. O encontro ocorreu após a liberação da Anvisa, mas ainda assim, no mês passado os governadores iriam se reunir com o órgão para acertar os últimos detalhes, já que a agência brasileira alegava que faltavam documentos para garantir a importação. Como o Estado não tinha previsão de compra de vacinas, nem no início da pandemia, o orçamento para 2021 não tinha reserva dos recursos. A lei aprovada pelos deputados garantiu o remanejamento necessário quando as negociações forem finalizadas. Por outro lado, até o momento, nada avançou. O governo também não falou mais no assunto, até porque o governo federal acelerou um pouco o envio de vacinas da Coronavac, Pfizer e até mesmo da Janssen (dose única), após doação do governo norte-americano. No próprio site do Consórcio Nordeste, a última notícia sobre a compra das vacinas data do mês de março, quando o governador do Piauí, Wellington Dias (PT), assinou termo de compra dos imunizantes na presença de representantes do Ministério da Saúde e do Fundo Soberano Russo. O Consórcio do Nordeste reúne os nove estados e tem inclusive um site próprio com várias informações. Algumas envolvem contratos feitos para consultoria e estudos de interesse da região. Como a compra de vacinas é um assunto de destaque durante a apuração se buscou detalhes do contrato de compra ou alguma minuta de como deveria ser realizado. Mas, em 2021 não consta nenhum documento tratando de alguma negociação para a compra de vacinas. Na semana passada a reportagem buscou contato com a Secretaria Estadual de Saúde (Sesau), mas até o fechamento desta edição nenhum retorno foi dado sobre se houve algum avanço envolvendo a aquisição da vacina. Ao invés disso, a semana terminou com a preocupante notícia de que pouco mais de 300 doses da vacina AstraZeneca, com validade vencida, teriam sido aplicadas aqui em Alagoas. Em entrevista à TV Gazeta o secretário de Saúde, Alexandre Ayres falou que pode ter havido um erro de digitação dos dados, já que o sistema criado para unificar as informações demorou para entrar no ar. Ayres disse ainda que o processo para o envio de vacinas é rigoroso com conferência de documentos por parte do Ministério da Saúde, entre elas data e qualidade, e que isso também ocorre em Alagoas. Sendo assim, procurou tranquilizar os alagoanos de que não teria ocorrido falha no Programa Nacional, nem no Estadual de vacinação. Por envolver recursos próprios, caberá aos órgãos de controle acompanhar detalhes do contrato de compra das vacinas. Mas, em consulta feita pela reportagem nem o Tribunal de Contas, nem o Ministério Público de Contas foram acionados para acompanhar nada relativo a aquisição de vacinas. Já o Ministério Público Estadual se encontrava em recesso e por essa razão a assessoria informou que só irá conseguir apurar algum detalhe sobre acompanhamento de contrato a partir da próxima segunda-feira.

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