Política
OPOSIÇÃO REAGE A NOVOS EMPRÉSTIMOS DO GOVERNO DO ESTADO
Uma das preocupações é a elevação da dívida pública e o uso político do dinheiro em 2022, quando termina o mandato de Renan Filho
O apagar das luzes do primeiro semestre no Legislativo estadual foi marcado pela ação do “rolo compressor” do governador Renan Filho (MDB). Com apoio de sua base na Assembleia Legislativa, ele impôs mais uma pauta de seu interesse em ano pré-eleitoral. Trata-se do aval da ALE para que Executivo contraia empréstimos de R$ 770 milhões junto ao Banco do Brasil e outros US$ 150 milhões junto ao Bird e Bid. A oposição reagiu, cobrou mais informações que justificassem o aumento da dívida pública, mas foi vencida no voto.
Segundo o deputado estadual Davi Maia (DEM), um dos mais críticos em relação ao comprometimento de investimentos futuros, manifestou sua indignação e garantiu que após a derrota o próximo passo é cumprir o papel institucional e fiscalizar os investimentos.
“Sobre o empréstimo só restou uma saída depois da ‘tratorada’ do governo: fiscalizar, ficar em cima dos gastos e observar” prometeu Maia.
Ele avaliou também que politicamente, em relação ao pleito de 2022, pode representar que o governo tenha mudado a estratégia de disputar uma vaga no Senado Federal e esteja se resguardando para ter mais dinheiro para gastar.
“Isso pode ser um indicativo também que com os números ruins nas pesquisas eleitorais, o governador ficará até o fim do mandado para gastar todo o recurso desses empréstimos, porque não teria tempo hábil até abril”, analisou o parlamentar revelando desgastes na popularidade do governador.
INCÔMODO
Mesmo sendo do mesmo partido do governo, a deputa Jó Pereira (MDB) não se sentiu confortável e confiante para embarcar nos argumentos prestados à ALE. Queria mais detalhes, tanto que buscou junto à sua qualificada assessoria mais informações, entretanto, elas não vieram. E por esta razão optou por se abster na votação em plenário. Ela disse que tecnicamente, por exemplo, não ficou muito claro o impacto nas contas públicas, muito menos em relação ao deficit previdenciário, uma das que pesa para o Executivo e envolve o futuro de milhares de servidores. “Aqui em Alagoas, por exemplo, não conseguimos cruzar o impacto desses empréstimos com o deficit previdenciário, com os recursos necessários para manutenção dos novos hospitais, então, em razão disso, pelas matérias serem de grande interferência na vida dos alagoanos, hoje vou me abster e me sentir contemplada com a decisão da Casa”, justificou a deputada durante a votação. As informações que havia solicitado, ainda no mês de abril, junto à Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz) demoraram dois meses para chegar. E que isso só teria ocorrido por conta de uma mediação feita pelo presidente da casa, deputado estadual Marcelo Vítor (Solidariedade). Somados todos os empréstimos concedidos pela ALE de 2017 até a última terça-feira para o programa Conecta Alagoas a cifra é de R$ 1,7 bilhões (RS 1.690.729.000), foi que apurou o Núcleo Alagoano da Auditoria Cidadã.