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CRESCE NÚMERO DE POLICIAIS QUE BUSCAM CARREIRA NA POLÍTICA

Levantamento da ONG carioca Sou da Paz mostra tendência ao que ela chama da ‘Policialismo’

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Cabo Bebeto, eleito em 2018 pelo PSL, já havia tentado uma vaga na eleição dois anos antes
Cabo Bebeto, eleito em 2018 pelo PSL, já havia tentado uma vaga na eleição dois anos antes -

A pauta da segurança pública sempre esteve em alta, em especial nas últimas duas décadas, com o aumento da violência nas capitais e áreas metropolitanas. A presença de policiais ou integrantes das Forças Armadas, nem tanto até ser registrado o fenômeno de derrocada do Partido dos Trabalhadores do poder, com o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Na esteira de sua queda, as correntes de centro-direita, notadamente, em todo o país viu surgir candidaturas de profissionais da área, muitos deles estimulados ou na esteira do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), militar reformado. A chamada “onda bolsonarista” empurrou profissionais de diversas patentes ou da Polícia Civil para encarar o desafio das urnas. Em Alagoas, porém, a presença de militares nas eleições é anterior a isso.

O fenômeno, tratado como “policialismo” pela ONG carioca Sou da Paz indica que entre 2010 e 2018, o número de policiais militares das Forças Armadas saiu de quatro nas eleições para 42 respectivamente, representando um aumento de 950%. Em pauta não só o sentimento antipetista, mas a defesa de valores conservadores e até mesmo liberais, em alguns casos com tendência a radicalização dos discursos. O fato é que conseguiram transpor a barreira do voto, a temida filiação partidária, já que integrantes das forças sequer podem se organizar em sindicatos.

Em Alagoas, o deputado Cabo Bebeto (PTC), eleito em 2018 pelo PSL, mesma legenda do presidente Bolsonaro, já havia tentado uma vaga na eleição dois anos antes. Por conta das dificuldades ele não se elegeu, mas colocou o nome no meio político. Dois anos depois, num contexto onde os militares passaram a ser vistos como alternativa às candidaturas de esquerda, quase sempre associadas as denúncias de corrupção que foram levantadas pela Operação Lava-Jato e a defesa de pautas liberais, a situação foi outra. Bebeto foi eleito, não necessariamente com os votos de militares e suas famílias. Mas com o apoio de várias correntes da sociedade decidiram dar uma chance a seu discurso conservador de defesa dos valores da família e contra a corrupção. Bem diferente do que ocorrera no século passado com militar reformado major Paulo Nunes, que foi eleito pelo PT depois de ter ganho notoriedade em movimentos da base militar por mais direitos, melhores condições de trabalho, promoções dos militares e salários dignos.

Tanto que o próprio Bebeto reconhece que a tentativa de conseguir mandatos eletivos já vinham ocorrendo na capital e no interior. Aos poucos quem colocou o nome a disposição da sociedade, eleito ou não, foi deixando uma marca, um caminho que poderia ser conquistado em algum momento. “Há tempos que vem crescendo o número de policiais candidatos. Isso é natural, uma vez que onde ele mora, seja no interior, na cidade, enfim no bairro dele, é uma certa referência para sua comunidade”, acredita Bebeto. A ousadia que o fez se lançar no pleito pode também marcar a iniciação para outros colegas de farda que passaram a ver que não impossível alçar novos voos na vida pública com o apoio popular. “Também acho que esse número tende a aumentar. Mas isso aí é a consequência e a causa disso é que a sociedade vê no policial um cara compatível, honesto e esse é o reflexo. Por isso, a consequência de muito policiais sendo candidatos, alguns se elegendo, outros tendo boa votação, mas a causa que eu acredito é que a população está revoltada com a violência, com o crime e vendo o policial enquanto político, enxerga também que ele pode lhe representar e também combater isso tudo”, completou Bebeto. De acordo com a análise ideológica das candidaturas de policiais em todo o Brasil, há o seguinte: 57,56% se apresenta como integrantes de partidos de direita, 30,01% centro-direita, 9,53% e 2,89% de esquerda. Um outro detalhe importante é que a maioria dos que disputaram o pleito, no caso de militares, já estava reformado. Dos 8.296 registros no país, 6.802 (82%) já estavam fora dos quartéis e 1.496 (18%) foram para o pleito ainda na ativa, o que é um número expressivo. Muitos poderiam ser os fatores, além do já descritos que podem impulsionar candidaturas de militares. Para o presidente da Associação de Cabos e Soldados de Alagoas, o sargento Jeferson Nascimento, talvez um fator preponderante seja a identificação de que o militar é alguém de extrema confiança por conta da atividade que realiza, quase sempre colocando sua vida em risco para defender a sociedade. “Hoje a sociedade vê nos militares uma pessoa que merece um crédito de confiança”, diz.

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