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Política Colapso do solo em quatro bairros obrigou moradores e comerciantes a deixarem essas áreas e buscar reparação

Líderes comunitários saem em defesa de acordo e criticam movimento de empreendedores do Pinheiro

Eles acusam movimento de buscar projeção política com a tragédia nos bairros abalados pela Braskem

Por thiago gomes | Edição do dia 15/07/2021 - Matéria atualizada em 14/07/2021 às 21h37

O acordo firmado com a Braskem, sob a mediação do Ministério Público Federal (MPF), para indenização dos moradores dos bairros afetados pela instabilidade do solo ainda dá o que falar. Representantes das comunidades mais carentes estão na bronca com o Movimento Unificado das Vítimas da Braskem (MUVB) e a Associação dos Empreendedores no Pinheiro e Região Afetada, acusados por eles de buscar projeção política diante da tragédia.

Estes movimentos, inclusive, marcaram o protesto que fechou a Avenida Fernandes Lima, na semana passada, por várias horas. Os líderes comunitários que dizem não fazer parte destes grupos, já prometem ingressar com ações judiciais para tentar frear o que consideram ser ‘politicagem de aproveitadores do caos alheio’.

Fernando Lima, da Associação Comunitária dos Moradores do Bairro do Bom Parto, afirma que representantes de microempresários do Pinheiro estão agindo em benefício deles, apenas, e tentando uma projeção política para rever um acordo que não tem base nas propostas, enquanto os que mais precisam estão servindo, segundo entende, como massa de manobra.

“Nós não estamos procurando evidências políticas para ter projeção. Buscamos soluções. Grande maioria dos moradores do Bom Parto já cumpriu os trâmites traçados pelo acordo, que para muitos foi muito benéfico, e brigamos muito para inclusão de uma área do bairro que tem registro de rachaduras e margeia a lagoa. Não admitimos que oportunistas que surgiram agora se projetem e consigam benefícios para uma pequena turma, que tem suas tragédias pessoais, mas não lhes dão o direito de excluir os demais, servindo apenas de boi de carga”, avalia.

Ele informou que a entidade vai processar estes “falsos movimentos, que sequer são legalizados e surgiram há seis meses. É vergonhoso uma pessoa estar capitaneando tudo isso com a classe política e tornando a cidade refém da vontade individual”.

O representante acrescenta que a repercussão do acordo com a Braskem é muito mais complexa do que se imagina. “O que estamos vendo é que cada região tem a sua particularidade. A favela domina 70% do Bom Parto, que vive cheia anualmente. Aqui, a situação já era ruim e, para alguns, o acordo foi uma tábua de salvação. Morava-se de forma subumana e agora pode sair para uma casa própria a partir da indenização. É muito complexo dizer que é bom ou ruim. Aqui, as políticas públicas não chegavam e as pessoas não tinham expectativa de mudar de vida”.

Para o integrante da Associação dos Moradores de Bebedouro, Augusto Cícero, o acordo era mais do que necessário, mas faltam alguns ajustes. “Falta agilidade nas indenizações, valores corretos nos imóveis e mais transparência nas avaliações. Prazo de espera está sendo muito longo e muitos moradores recebendo proposta muito abaixo do valor do imóvel”, avalia.

Arnaldo Manoel dos Santos, presidente da Associação dos Moradores do Mutange, observa que, para o bairro, o primeiro a ter realocação, o acordo foi, em partes, satisfatório. No entanto, ele se queixa dos valores referentes aos danos morais.

“Aqui, 95% dos moradores já foram indenizados. A realidade é bem diferente do Pinheiro. Se analisarmos que tínhamos as nossas casas construídas de nossa forma, afirmo que dinheiro nenhum pagaria, além do mais os danos morais de um idoso jamais se comparam com os danos morais de um jovem ou até mesmo de uma criança”, ressalta.

O que diz o MUVB

Em nota, o Movimento Unificado das Vítimas da Braskem (MUVB) e a Associação dos Empreendedores no Pinheiro e Região Afetada dizem que estão sendo alvos de boicote, devido ao êxito nas ações que se propõem a realizar em benefício do coletivo. Eles acusam as lideranças de associações de moradores de se aliar à Braskem e receber dela vantagens financeiras, assim como fornecimento de cestas básicas para distribuição na comunidade.

“Uma dessas ações de entrega de alimentos foi agendada para os exatos dia e horário da manifestação organizada pelo MUVB e a Associação dos Empreendedores, numa tentativa direta de desmobilização das vítimas”.

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