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Delegado diz que pol�ticos comandam viol�ncia

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GILVAN FERREIRA O homem que desafia o poder do crime organizado em Coruripe, Marcílio Barenco, nasceu em Petrópolis, no Rio de Janeiro, tem 31 anos, é casado e pai de uma menina de dois meses. Formado em Direito, deixou o Rio de Janeiro para disputar uma vaga no concurso para delegado da Polícia Civil de Alagoas. Aprovado, assumiu o cargo de delegado no município de Teotônio Vilela, em 2002, de onde foi transferido para Coruripe. Há cinco meses, a vida do delegado Barenco mudou e ele passou a enfrentar o que só acompanhava por notícias dos jornais e TVs: a violência política e o domínio dos coronéis no Estado. Na relação de ameaçados de morte por pessoas envolvidas em casos de violência em Coruripe, Barenco mantém a postura de enfrentamento do crime organizado. Nesta entrevista, ele afirma que não vai se intimidar pelas ameaças, fala da sua relação com o deputado João Beltrão e sobre as investigações de crimes envolvendo grupos poderosos de Coruripe. Segundo Barenco, o coronelismo e a violência são as marcas de alguns políticos em Alagoas. - Qual a sua relação com o deputado estadual João Beltrão? - Nenhuma. O único encontro que tive com ele aconteceu no município de Teotônio Vilela, antes de ser transferido para Coruripe. Ele me procurou pedindo que interferisse para que fizessem cessar as ameaças de morte contra um dos seus correligionários. Como delegado, convoquei a pessoa acusada de fazer a ameaça e conseguimos resolver o caso sem nenhum problema. Em Coruripe, nunca tive contato com o deputado, ou mesmo com seu irmão, o prefeito Joaquim Beltrão. - Na sua linha de investigação, quais são os investigados como autores materiais e intelectuais da morte do vendedor de jóias José Cerqueira e seu motorista, Magelo da Silva? - Já temos provas que o policial civil Jesse James é o mandante do duplo assassinato. Temos os nomes dos executores, mas ainda não posso revelar, para não atrapalhar as investigações. Ainda temos que ouvir entre 15 e 20 testemunhas para concluir o inquérito, mas estamos bem perto de esclarecer o duplo crime. - O senhor tem medo de morrer ? - Não, não tenho medo de morrer. Quando decidi ser delegado de Polícia Civil, sabia dos riscos que poderia enfrentar. As ameaças de Jesse James e do grupo me fizeram tomar algumas precauções com minha segurança, mas não tenho medo de morrer. - Por que o senhor mandou sua família de volta para o Rio de Janeiro ? - A decisão de mandar de volta para o Rio de Janeiro minha esposa e minha filha, de dois meses, foi uma forma de preservar minha família. Além da minha esposa e do meu irmão, que é juiz de Direito no Rio de Janeiro, as outras pessoas da minha família não sabem o que está acontecendo comigo em Alagoas. - Qual a idéia que o senhor tinha antes de vir para o Estado de Alagoas? - No Sudeste, existe um estigma sobre Alagoas, que sempre aparece em notícias ligadas à violência. Aqui, o coronelismo ainda está presente, mas não sendo liderado pelos velhos coronéis que dominam o Estado. Hoje, o coronelismo é representado por políticos que comandam a violência no Estado. O governador Ronaldo Lessa vem tentando acabar com o domínio desses coronéis, mas ainda é necessária a participação de outros setores. - Que setores são esses ? - Eu estou falando do Poder Judiciário, que precisa ajudar nesse esforço para acabar com a impunidade e com a violência política no Estado. É preciso que a Justiça também faça sua parte, para que possamos mudar essa realidade histórica de violência em Alagoas. - O senhor pretende deixar Coruripe? - Não, não vou deixar Coruripe. Isso só vai acontecer depois de concluir o inquérito que apura as mortes do José Cerqueira e do Magelo da Silva. Posso garantir que não vou me deixar levar pelas ameaças de morte e a pressão dos poderosos de Coruripe, que sempre agiram sob o manto da impunidade. - Qual o apoio que o senhor vem recebendo da Secretaria de Defesa Social ? - Eu estou recebendo total apoio da cúpula da Secretaria de Defesa Social para investigar os crimes de Coruripe. Se fosse em uma outra época, eu já teria sido removido de Coruripe, mas esse tipo de pressão não funciona mais em Alagoas. - Esse foi o caso mais difícil que o senhor comandou nesse pouco tempo de Polícia Civil? - Em Teotônio Vilela, onde trabalhei por cerca de sete meses, investiguei um caso muito sério envolvendo um juiz de Direito, que me causou problemas. - O senhor foi pressionado a deixar o inquérito que envolve um assessor e um segurança do deputado João Beltrão? - Não recebi nenhum tipo de pressão da Secretaria de Defesa Social para deixar o inquérito. Venho recebendo apoio incondicional do secretário Robevaldo Davino e dos diretores da secretaria.

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