Política
Ministro quer prote��o para delegados amea�ados
ARNALDO FERREIRA O clima de medo vivido por comunidades do Litoral Sul, especificamente no município de Coruripe, e as ameaças de morte contra delegados de polícia e jornalistas da GAZETA DE ALAGOAS já repercutem em Brasília e causam preocupação até ao ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, Nilmário Miranda. Por meio do Ofício nº 201/2004, assinado pelo chefe da Ouvidoria da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos, Pedro Montenegro, o ministro Miranda manifestou sua solidariedade aos delegados ameaçados de morte, Marcílio Barenco e Mário Jorge Marinho. Pedro Montenegro chega nesta segunda-feira a Maceió. Ele fará uma visita política e de solidariedade aos dois delegados ameaçados de morte e visitará, também, o secretário de Defesa Social, Robervaldo Davino. O encontro está marcado para as 10 horas, no gabinete do secretário. Os delegados Barenco e Marinho estão à frente das investigações sobre a morte do vendedor de jóias José Cerqueira e do seu motorista, Magelo da Silva, onde aparece como um dos principais suspeitos dos homicídios o policial civil e vereador Jesse James Viana, o ?Neno?, assessor do deputado João Beltrão (PMDB). Outro suspeito de autoria material do crime é o policial militar, também de Coruripe e ligado a Beltrão, Nailson Ferreira da Silva. O crime aconteceu em agosto do ano passado. Até agora, a polícia não encontrou o carro das vítimas e nem as jóias e o dinheiro que estavam com elas. O ministro se colocou à disposição do governador Ronaldo Lessa (PSB) e ao mesmo tempo solicitou providências urgentes para garantir a integridade física dos delegados ameaçados. Providência A cúpula da Polícia Civil de Alagoas também já não esconde a preocupação com o clima de medo que policiais civis e pistoleiros impõem no litoral sul do Estado e agora ameaçam até os próprios delegados de polícia. Tanto que depois da descoberta de um plano de morte contra os delegados, os diretores da Secretaria de Defesa Social deslocaram dois seguranças especiais para trabalhar na proteção pessoal do delegado Barenco. Armamentos pesados também estão à disposição do delegado Barenco e de sua equipe. O delegado afirma que não se intimida. Ele está recebendo a solidariedade e o apoio do grupo de novos delegados da Secretaria de Defesa Social e do próprio secretário Robervaldo Davino. A Comissão de Direitos Humanos da OAB/AL e a Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa, ao mesmo tempo em que hipotecam solidariedade às autoridades policiais, pedem que a polícia não recue nas investigações. Preparado O delegado Barenco tem apoio de seus superiores, dentre eles o diretor do Depin, delegado Mário Jorge Marinho, para aprofundar o caso e continuar com as investigações. Barenco mostra coragem, inclusive, para revidar ?o que vier de agressão?. Disse que não se intimida com as ameaças de Jesse James. Os dois delegados e os jornalistas da GAZETA DE ALAGOAS que trabalham na cobertura do Caso Coruripe fazem parte de uma lista de pessoas ameaçadas de morte. A descoberta das ameaças se deu mediante escuta telefônica autorizada pela Justiça. A fita revela, inclusive, planos de morte contra autoridades policiais e jornalistas. ?Eu sei que posso morrer a qualquer momento?, disse o delegado. ?Estou na relação de pessoas que incomodam os poderosos de Coruripe. Eles sempre contaram com a certeza da impunidade?. Prisão Hoje, a Polícia Civil não tem dúvida sobre a necessidade da prisão do policial mais temido de Coruripe, que ostenta sinais de riqueza e poder. O diretor do Depin confirmou que vai, novamente, pedir a prisão do policial Jesse James, agora por ameaças de morte. O delegado Jorge Marinho garantiu que a cúpula da Polícia Civil não vai interferir no trabalho do colega Marcílio Barenco, que continuará no comando das investigações sobre a morte do vendedor de jóias e do seu motorista. ?O delegado Barenco está cumprindo sua tarefa e tem apoio da Polícia Civil. Não vamos tolerar nenhum tipo de agressão contra ele?, avisou o delegado Jorge Marinho, que não esconde sua irritação com Jesse James, desde a descoberta da existência de um plano para assassiná-lo. Direitos Humanos No plano político local, as comissões de Direitos Humanos da Câmara dos Vereadores de Maceió e da Assembléia Legislativa também manifestaram solidariedade aos dois delegados e aos jornalistas da GAZETA. O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia, deputado Paulo Fernando dos Santos, Paulão (PT), esteve na Secretaria de Defesa Social, na sexta-feira, para levar o apoio político do seu partido e da comissão que preside. ?Os delegados Mário Jorge Marinho e Marcílio Barenco não estão sós?. Por outro lado, o deputado cobrou pulso firme da polícia e lembrou alguns casos pontuais: ?O presidente do PT de Japaratinga, Nilvaldo Pereira, também está na lista dos marcados para morrer, porque entrou com um recurso contra o concurso da saúde municipal, onde os primeiros colocados foram filhos de prefeitos e vereadores governistas. O juiz Ayrton Tenório Filho percebeu a irregularidade, anulou o concurso e, a partir daí, Nilvado Pereira foi obrigado a deixar a cidade de Japaratinga para não morrer?. O presidente do Fórum Permanente Contra a Violência, advogado Mirabel Alves da Rocha, também demonstrou preocupação com o clima de medo que se instala na região sul, particularmente no município de Coruripe. ?Se tem gente com coragem de tramar a morte de delegados de polícia, imagine o que essas pessoas podem fazer com simples cidadãos indefesos?, analisou Mirabel, que esteve na Secretaria de Defesa Social para manifestar apoio aos delegados ameaçados. O advogado Mirabel Alves da Rocha e as entidades de defesa de Direitos Humanos cobraram uma manifestação do governador a favor dos policiais ameaçados. ?O histórico político do governador é de luta contra a violência e a impunidade. O pronunciamento dele é muito importante?, destacaram o deputado Paulão e o advogado Mirabel Alves.