Política
PRIVATIZAÇÃO DOS CORREIOS GERA ATRITO ENTRE DEPUTADOS
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A hipótese de privatização dos Correios, cujo projeto neste sentido pode ser pautado na Câmara Federal, foi tema discutido na sessão ordinária da Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE), na manhã desta quarta-feira (4). E, por causa deste assunto, os deputados Ronaldo Medeiros (MDB) e Cabo Bebeto (PTC) se estranharam em plenário – um por criticar o governo federal pelo envio da proposta e o outro por defendê-lo.
Medeiros e Bebeto têm protagonizado vários momentos de debate de ideias acerca da atuação de Jair Bolsonaro (sem partido). Desde que assumiu o mandato, em fevereiro deste ano, o emedebista faz uma série de questionamentos sobre as ações executadas pelo presidente da República, gerando a reação imediata do colega de Parlamento, bolsonarista de carteirinha.
No discurso desta quarta, Medeiros citou a possibilidade de a Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) ser entregue à iniciativa privada. Segundo ele, a intenção é maléfica por acreditar que os serviços atualmente desempenhados pela estatal perderão a qualidade. Além disso, pensa que os valores de postagens pagos pela população serão reajustados, caso a privatização se concretize.
Em pronunciamento, esta semana, o ministro das Comunicações, Fabio Faria, informou que o projeto de privatização dos Correios será pautado, nesta semana, na Câmara. Ele considera que essa é a última oportunidade para garantir a sobrevivência da estatal e pediu o apoio de deputados e senadores à proposta.
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“Por isso eu peço apoio a todos os deputados e senadores que deem atenção ao tema, porque só assim manteremos essa empresa secular que tanto orgulha nossos brasileiros”, disse. “Esta é a última oportunidade de garantir a sobrevivência dos Correios.”
O ministro disse que a privatização é fundamental para fortalecer os Correios e a única forma de garantir a universalização dos serviços postais. “Esse é um compromisso do presidente Bolsonaro”, disse.
Na ALE, Medeiros ainda fez menção ao preço do gás de cozinha, que já está sendo vendido em Alagoas a mais de R$ 100. Medeiros responsabilizou o governo federal pela alta nos preços deste item essencial, sendo rebatido por Bebeto. “Vossa excelência se perde e é infeliz no uso das palavras. É um discurso que poderia, tranquilamente, ser retirado das notas taquigráficas desta Casa”, reagiu o deputado do PTC.
Bebeto citou, como exemplo, o Hospital Geral do Estado (HGE), como unidade pública que poderia ser privatizada, devido, como crê, ao mau serviço que presta à sociedade. Ele avalia que se o HGE fosse entregue à gestão privada o atendimento seria melhorado.
O deputado ainda defendeu Bolsonaro ao comentar sobre o preço do gás de cozinha. “O governo federal zerou por vinte anos a tributação federal que incide sobre este produto. O gás sai da refinaria por R$ 45 e o que se acrescenta aí corresponde a imposto estadual e lucro das empresas. Diferente do governo federal, o estadual bota para lascar no pobre”, avalia Bebeto.