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Política

Soares afirma: PT sabia do esquema de Waldomiro

Rio de Janeiro, RJ (Agência Folha) - O antropólogo e ex-secretário Nacional de Segurança Pública Luiz Eduardo Soares identificou ontem como Sergio Canozzi o empresário gaúcho que teria lhe procurado em 2002 para revelar que o então presidente da Loterj (L

Por | Edição do dia 31/03/2004 - Matéria atualizada em 31/03/2004 às 00h00

Rio de Janeiro, RJ (Agência Folha) - O antropólogo e ex-secretário Nacional de Segurança Pública Luiz Eduardo Soares identificou ontem como Sergio Canozzi o empresário gaúcho que teria lhe procurado em 2002 para revelar que o então presidente da Loterj (Loterias do Rio) Waldomiro Diniz tirava R$ 300  mil por mês dos bingos. Em depoimento à CPI da Loterj/Rioprevidência, instalada na Assembléia Legislativa do Rio, Soares afirmou também que à época a direção do PT foi comunicada por ele do caso, e que Waldomiro era o elo entre petistas e o ex-governador do Rio Anthony Garotinho (ex-PSB, hoje no PMDB). Ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil, Waldomiro Diniz dirigiu a Loterj durante o governo de Anthony Garotinho (1999 a abril de 2002) e permaneceu no cargo nos nove meses da gestão Benedita da Silva (PT). Garotinho licenciou-se do posto para concorrer à Presidência da República seis meses antes da eleição. Soares revelou ainda aos deputados fluminenses que teve um encontro com Sergio Canozzi pouco depois de a petista Benedita da Silva assumir o governo do Rio. O encontro, segundo Soares, foi agendado por sua assessora com a secretária do empresário. Ocorreu em 30 de abril de 2002, durante um seminário no hotel Marina, na zona sul do Rio. O empresário, segundo o relato de Soares, teria lhe proposto um esquema de propina para arrecadar dinheiro para a campanha de Benedita -a petista perdeu as eleições de 2002 para a mulher de Garotinho, Rosinha Matheus (PMDB). Luiz Eduardo Soares concorreu como vice da chapa de Benedita. De acordo com o relato de Soares, Canozzi à época ofereceu disponibilizar mais dinheiro que Waldomiro arrecadava em um esquema semelhante. Ele teria proposto R$ 500 mil, contra R$ 300 mil que Waldomiro levantaria. O ex-secretário do Ministério da Justiça disse aos deputados que após o encontro com Canozzi informou a direção do PT -então presidido pelo atual ministro da Casa Civil, José Dirceu- do caso. O partido, no entanto, teria impedido uma auditoria no governo estadual para não prejudicar uma aliança futura com o antigo partido de Garotinho, o PSB, no segundo turno das eleições. Soares disse que Benedita ficou irritada ao ser informada sobre o suposto esquema de corrupção de Waldomiro e foi impedida de fazer uma auditoria devido às negociações políticas das eleições. Afirmou também que após ser nomeado para a Secretaria Nacional de Segurança não se preocupou mais com Waldomiro porque a Abin (Agência Brasileira de Informações) teria feito uma investigação das atividades de Waldomiro e não constatou irregularidades. Luiz Eduardo Soares ocupou a Subsecretaria de Segurança no governo Garotinho. Em março de 1999, foi demitido por afirmar a existência de uma “banda podre’’ na cúpula da polícia. Em 2003 foi nomeado para a Secretaria Nacional de Segurança Pública, mas caiu em outubro, após empregar a mulher e a ex-mulher.

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