Política
DEPUTADO ACUSA SECRETÁRIO DE SAÚDE DE USO DA MÁQUINA PÚBLICA DO ESTADO
Davi Maia (DEM) vê Alexandre Ayres fazendo campanha eleitoral antecipada ao contratar pessoal que acabará sendo cabo eleitoral
O deputado estadual Davi Maia (DEM) utilizou a tribuna da Assembleia Legislativa Estadual (ALE), na sessão desta terça-feira (10), para acusar o secretário de Estado da Saúde, Alexandre Ayres, de fazer campanha eleitoral antecipada e de utilizar a máquina pública para contratar pessoal que acabará sendo cabo eleitoral dele em 2022. O parlamentar diz acreditar que o gestor está agindo como pré-candidato.
O discurso de Maia, o primeiro após o recesso do Legislativo, foi recheado de críticas à gestão Renan Filho (MDB). Como de costume, ele não poupou o governo do que considera ser ‘desmandos no enfrentamento da Covid-19’. Para o deputado, o governador trabalha com propagandas, mas deixa a desejar em ações efetivas para combater os efeitos nocivos da pandemia.
E citou como exemplos as compras frustradas dos respiradores, gerando calote de mais de R$ 5 milhões, e da vacina russa Sputnik V, via Consórcio Nordeste. “O governador não comprou respiradores, vacinas e medicamentos contra a Covid-19. Ele e o seu secretário de Saúde, que é pré-candidato, muito falam, mas pouco fazem. O que Ayres sabe fazer é usar a máquina pública para contratar pessoas que serão seus cabos eleitorais no pleito do ano que vem”, acusou.
Em entrevista à Gazeta, para edição do fim de semana, Maia já tinha comentado que era visível a estratégia dos secretários estaduais de Saúde, Segurança Pública e de Educação para conquistar a preferência do eleitorado. “Todos estes já se lançaram pré-candidatos e estão rodando o interior fazendo campanha, fechando acordos políticos em plena luz do dia. Na Saúde, há a contratação dos serviços temporários, que não tem transparência nenhuma e está sendo utilizada como máquina eleitoral”, afirmou o deputado. Segundo ele, o Executivo tem se aliado com os demais governadores do Nordeste, com o único propósito de fazer política com a aquisição de insumos que nunca chegaram. “Com relação à vacina russa, queriam comprar na marra, tentaram de todo jeito, mesmo antes da Anvisa aprovar o imunizante no Brasil. Acionaram o Supremo Tribunal Federal (STF), que liberou a compra limitada, mas, na semana passada, desistiram do negócio”, ressaltou. No discurso, o parlamentar ainda fez menção ao governo federal como sendo o único responsável por garantir respiradores e vacinas para Alagoas. “São mais de 200 aparelhos e milhões de vacinas enviadas ao Estado pelo Ministério da Saúde. Queria saber como o governador iria se gabar por estes ventiladores mecânicos se não fosse o governo federal. Vamos saber quem é o genocida? O governador deu o tiro com a pólvora dos outros”. Ele também fez um apelo aos colegas de Parlamento para que seja instalada uma CPI [Comissão Parlamentar de Inquérito] para apurar a aplicação dos recursos contra a Covid-19 em Alagoas, como fez a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. E pediu o apoio para conseguir a aprovação do requerimento que convoca o secretário-executivo do Consórcio Nordeste, Carlos Gabas, já apresentado à Mesa Diretora. “Gabas é petista de carteirinha e chegou a ser ministro do governo desastroso da Dilma Rousseff. Ele precisa responder o que foi feito com o dinheiro roubado de Alagoas referente aos respiradores comprados que nunca chegaram. Chegou a hora de abrir esta caixa preta e entender o que o secretário Alexandre Ayres faz com o dinheiro da Covid. Fizemos sete pedidos à Sesau em busca de informações e, até agora, nenhuma resposta obtivemos”, acrescenta. Em aparte, o líder do governo, deputado Silvio Camelo (PV), saiu em defesa do gestor da Saúde. De acordo com ele, Ayres é um dos secretários que mais compareceram à ALE, no último ano, para prestar esclarecimentos acerca das contas do governo. Ele também frisou que todas as informações sobre os recursos constam no Portal da Transparência, podendo ser acessadas a qualquer momento.
A Gazeta fez contato com a Sesau, que não se posicionou acerca das declarações do deputado na Assembleia Legislativa.