Política
CPI DA COVID NO RN VAI OUVIR DEPUTADO DE AL SOBRE RESPIRADORES
Presidente da comissão, deputado Kelps Lima (Solidariedade), confirma que pretende convidar Davi Maia para ajudar no trabalho
Em outubro, o deputado estadual Davi Maia (DEM) deverá ser ouvido pela CPI [Comissão Parlamentar de Inquérito] da Covid, instalada pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. O presidente da comissão, deputado Kelps Lima (Solidariedade), confirmou à Gazeta que pretende convidar o parlamentar alagoano no âmbito da investigação dos contratos firmados pelo Consórcio Nordeste para aquisição de respiradores que nunca foram entregues.
Maia é um dos ferrenhos críticos do colegiado de governadores nordestinos. Ele integra a Comissão Parlamentar Interestadual de Acompanhamento e Fiscalização do Consórcio Nordeste, composta por deputados estaduais da região, e que já verificou indícios de atos de improbidade administrativa e crimes contra a administração pública, que podem ter sido praticados pelos gestores estaduais responsáveis pelas aquisições. Além disso, o grupo acredita que foram utilizados recursos da União para a compra dos equipamentos, o que, em tese, permitiria a apuração por uma CPI.
Maia disse que está à disposição da CPI da Covid do Rio Grande do Norte. Ele mesmo já tentou, por duas vezes, a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar as ações do governo Renan Filho (MDB) no enfrentamento ao coronavírus, mas não conseguiu por integrar a minoria na Casa de Tavares Bastos. Para instalar a CPI, Maia precisará de 9 assinaturas de colegas, feito considerado muito improvável na atual conjuntura. “Sei da importância que esta CPI do Rio Grande do Norte tem para todos os estados do Nordeste. É a primeira comissão que investiga o Consórcio Nordeste e, se for necessário, vamos atender ao convite pessoalmente”, promete. Ele acredita que lá se pode esclarecer o modus operandi de possíveis fraudes em plantões, denunciadas por ele recentemente. “Esta é mais uma questão que iremos alertar no Rio Grande do Norte”.
O parlamentar garante ter provas contra o Consórcio Nordeste no processo de aquisição dos respiradores. São estes documentos que o presidente da CPI do RN aguarda para contribuir com a apuração, iniciada no começo de agosto.
Segundo ele, Alagoas, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), adiantou R$ 4.488.750,00 para o consórcio, com a finalidade de aquisição de 30 respiradores lá no começo da pandemia. O problema é que a compra foi frustrada e os estados amargaram um calote milionário.
O Tribunal de Contas do Estado de Alagoas (TCE/AL) determinou que a Sesau não celebrasse mais contratos com o Consórcio Nordeste. Já o Ministério Público de Contas (MPC) requereu a instauração de uma Tomada de Contas Especial na secretaria, com o propósito de que fossem esclarecidos os possíveis danos ao erário.
AÇÃO
Em 28 de março de 2020, o Estado de Alagoas ingressou com a Ação Cível Originária nº 3374-AL, por meio da qual requereu a suspensão do pagamento da dívida com a União, pelo prazo de 6 seis meses, em razão dos impactos da pandemia na arrecadação. O valor requerido na suspensão do pagamento da dívida corresponde a, aproximadamente, R$ 32 milhões mensais, os quais seriam mantidos nos cofres públicos de Alagoas, para o combate da Covid-19. Só que, em decisão monocrática, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu a liminar, e, como condicionante, a Corte obrigou o Estado de Alagoas a comprovar que os valores seriam integralmente aplicados na Secretaria de Saúde, para o custeio das ações de enfrentamento da pandemia. O governo de Alagoas se comprometeu a prestar contas quinzenais dos gastos realizados com os recursos, devendo comprovar a sua utilização na área da saúde. Nesse sentido, em 11 de abril de 2020, o Estado prestou contas ao STF, informando a liberação da cota de empenho correspondente a R$ 4.488.750,00, destinados à aquisição conjunta de ventiladores pulmonares para o enfrentamento da pandemia da Covid-19. Ou seja: o Estado declarou que o dinheiro para a compra via Consórcio Nordeste veio, justamente, de recursos que deveriam ter sido repassados originariamente à União.