Política
Sem-terra marcham em dire��o a Macei�
ARNALDO FERREIRA Os movimentos sociais de trabalhadores sem-terra de Alagoas começaram a se movimentar, ontem, dentro da estratégia do ?abril vermelho?, como prometeu o ideólogo do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, ao anunciar na semana passada uma onda de ocupações e marchas em várias partes do País. Em Alagoas, líderes de 10 mil famílias prometem que no dia 16 de abril Maceió será palco da maior manifestação dos movimentos sociais. A radicalização dos movimentos em Alagoas ainda não aconteceu. Mas as ocupações de terras para forçar o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) a acelerar os assentamentos dos acampados já estão em curso. A Fazenda São Sebastião, no município de Atalaia, por exemplo, continua, desde anteontem, em mãos de mais de 100 famílias ligadas ao MST. A área foi considerada de interesse social para a reforma agrária, mas ainda não está desapropriada pelo Incra/AL. Duas colunas de trabalhadores rurais acampados vão marchar em direção a Maceió. A primeira coluna, com cerca de mil famílias, saiu ontem de Maragogi ? município do Litoral Norte, distante 131 quilômetros da capital e que fica na divisa com o Estado de Pernambuco. Na próxima segunda-feira, dia 12, sai em marcha a segunda coluna. Até o dia 15 de abril, as duas colunas acampam no centro de Maceió. A idéia dos coordenadores da marcha é fazer a manifestação cobrando a reforma agrária com a presença da maioria das 10 mil famílias acampadas. Participam da marcha as famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), do Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL) e da Comissão Pastoral da Terra (CPT). ?Com lupa? O coordenador estadual da CPT, Carlos Lima, ao ser questionado pela GAZETA sobre como via o processo de reforma agrária, respondeu com ironia: ?Com lupa?. Carlos Lima disse que ?há dois anos o processo de reforma agrária não anda em Alagoas?. Entretanto, o coordenador do movimento agrário da Igreja Católica fez questão de enfatizar que ?a CPT vai trabalhar para ajudar o Incra. Mas o instituto precisa resolver seus problemas internos, que contribuem para emperrar os processos de assentamento e de regularização fundiária?. Carlos Lima observou que as famílias que neste momento marcham em direção a Maceió esperam pela terra há três, quatro, cinco ou seis anos. Incra O superintendente-substituto do Incra/Alagoas, Jorge Tadeu Jatobá, e os oficiais do Centro de Gerenciamento de Crises da PM acompanham a movimentação dos sem-terra e garantem que ?a marcha acontece de forma tranqüila e pacífica?. As estatística oficiais do Incra mostram que, no ano passado, o instituto estimava assentar 1.636 famílias e fechou o ano com apenas 70 famílias assentadas e no meio de uma profunda crise administrativa que levou o então superintendente, Mário Agra, a pedir exoneração do cargo. Este ano, o Incra planeja assentar três mil famílias. Mas fechou o primeiro trimestre com 90 famílias assentadas em fazendas que ficam nos municípios de Girau do Ponciano e Atalaia.