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Funcion�rios de Beltr�o indiciados em morte de PM

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GILVAN FERREIRA Depois de cinco meses de investigações, os delegados André Avancini D?Ávila e Antônio Edson Souza Oliveira, indicados pela Secretaria de Defesa Social para investigar o assassinato do policial militar Elias Francisco dos Santos, ocorrido em Coruripe, em 15 de julho de 2002, indiciaram Breno Beltrão, primo do deputado João Beltrão (PMDB), Danúzio Lessa e dois funcionários do parlamentar, Valdemir Bispo dos Santos, o ?Dentinho? ou ?Mago do Bigode?, e Marcos José Barros da Silva, o ?Marquinhos?. Os dois primeiros são apontados como autores intelectuais e os outros como executores do assassinato do PM. Elias era considerado inimigo por ?repassar informações? e investigar crimes supostamente cometidos por policiais civis e militares ligados ao deputado João Beltrão. Valdemir Bispo, o ?Dentinho? e Marcos José Barros, o ?Marquinhos?, também são suspeitos de participação nas mortes do vendedor de jóias José Cerqueira e do motorista Majelo da Silva foram citados no artigo 121, parágrafo 2º e inciso 4º (homicídio qualificado). Se forem condenados, podem pegar entre 12 e 30 anos de prisão por cada assassinato. O primeiro inquérito sobre a morte do policial Elias Francisco foi aberto pelo delegado Cícero Lima, que deixou o cargo antes de concluir as investigações. O inquérito ficou parado durante um ano e cinco meses. Morte anunciada O PM Elias foi emboscado, em um trecho da AL-101 Sul, em frente à Fazenda Cruiris, de propriedade do primo do deputado João Beltrão, Breno Beltrão, por dois homens que utilizavam uma moto. Elias se deslocava do município de Coruripe para a cidade de Feliz Deserto. Os pistoleiros dispararam vários tiros contra o PM. Três tiros de revólver 38 atingiram o militar, que mesmo ferido conseguiu dirigir seu veículo até a residência de seus parentes, em Coruripe. O militar foi levado à Unidade de Emergência de Maceió por um de seus irmãos, Ezequiel dos Santos, mas morreu três dias depois do atentado e algumas horas após receber a visita, no hospital, do assessor do deputado João Beltrão, Jesse James Viana, o ?Neno?. Antes de morrer, Elias revelou ao irmão Ezequiel ? hoje sob a guarda do Programa de Proteção às Testemunhas do governo federal ? que sua morte ?interessava ao pessoal do deputado João Beltrão?. O soldado disse ao irmão também que reconhecera ?Dentinho? e ?Marquinhos?, os motoristas do deputado, como sendo os dois homens que participaram da emboscada. Revelações Em entrevista à GAZETA, no mês passado, Ezequiel dos Santos contou sua versão da morte do irmão. Ele sugeriu que a morte do soldado Elias foi planejada pelo grupo ligado ao deputado João Beltrão e chegou a citar o nome do chefe de segurança do parlamentar, Jesse James. ?Ele [Elias] recebeu ameaças, mas não parou de descobrir as coisas. (...) Ele foi chamado lá na delegacia de Coruripe antes de acontecer aquilo com ele, porque ele andou prendendo umas pessoas. Foi falar com o delegado, que era o doutor Cícero Lima, e foi saído de lá também. (...) Tinha um traficante chamado Flavinho, que é amigo do Neno. Esse Neno é o testa-de-ferro do João Beltrão. Esse Flavinho vendia maconha. (...) O Elias descobriu outros cabras lá, que estavam roubando também, e todos esses cabras eram amigos do Neno?, relatou o irmão da vítima. ?O Elias contou que prendeu uns ladrões, e um deles contou que o Neno tinha pedido uma carga de cimento. (...) Esses cabras fazem tudo isso lá em Coruripe porque o João Beltrão apóia muito. Quando esse homem não era nada, era de outro jeito em Coruripe. Depois que ele foi candidato a prefeito, passou pra prefeito, e depois que ganhou pra deputado, pronto...?, acrescentou Ezequiel dos Santos. Confirmação Em depoimento aos delegados que investigam a morte do seu irmão, Ezequiel dos Santos confirmou a versão que havia revelado à GAZETA e apresentou novos detalhes que estão sendo mantidos em sigilo pelos delegados. O delegado André Avancini não quis antecipar a possibilidade de indiciar o deputado João Beltrão na morte do soldado Elias. Avancini garantiu que vai concluir o inquérito dentro de 15 a 20 dias. O relatório do inquérito vai ser enviado ao juiz de Coruripe, Carlos Henrique Pitta Duarte.

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