Política
PMDB fortalece Renan na disputa pelo Senado
O senador Renan Calheiros ganhou, ontem, uma batalha fundamental na guerra para chegar à presidência do Senado. Reunida em Brasília, a Executiva Nacional do PMDB decidiu vetar apoio à emenda constitucional que prevê a reeleição para presidentes da Câmara e do Senado. Doze dos 15 dirigentes nacionais do partido votaram contra. A tese da reeleição tramita no Congresso Nacional mediante uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC). Houve uma abstenção e dois votos a favor. Na prática, o comando do partido deixa claro que seu candidato para comandar o Senado a partir do ano que vem é o senador alagoano. Em nota, o partido destaca a ?impessoalidade da decisão, que se alicerça na convicção de que tal mudança caracterizaria casuísmo?. Liderada pelo presidente do partido, deputado Michel Temer (SP), a reunião aconteceu na sede do PMDB, em Brasília. Acordo Por um acordo feito entre o ministro José Dirceu (Casa Civil) e o senador Renan Calheiros no início de 2003, Renan abriu mão da candidatura a presidente do Senado em benefício de José Sarney (AP). Em troca, teria apoio do governo para suceder Sarney em fevereiro de 2005. A emenda para viabilizar a reeleição nas duas casas derrubaria esse acordo. No PT, o presidente da Câmara, João Paulo Cunha (SP), trabalha pela reeleição. Sarney, que pleiteia sua permanência no cargo, não compareceu à reunião da Executiva. Ele foi o principal aliado do governo Luiz Inácio Lula da Silva na votação das reformas da Previdência e tributária e na articulação política para abafar a instalação da CPI dos Bingos e do caso Waldomiro Diniz. Por causa disso, Sarney conta há muito tempo com a bênção do governo para continuar na presidência do Senado. O senador João Alberto (MA), representante de Sarney na reunião peemedebista, disse que ?depois de ter sido aprovada a reeleição para presidente da República e governadores, não há por que negar a prerrogativa aos presidentes da Câmara e do Senado?. A bancada do PMDB ? a maior no Senado ? deve seguir a orientação da direção do partido e votar contra o projeto. Manobra Para tentar anular o efeito da decisão da direção do PMDB, setores do governo tentaram manobrar para que a PEC da reeleição fosse votada ainda ontem à tarde na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. Quando a votação já estava marcada pelo presidente da CCJ, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), o deputado Jader Barbalho (PMDB-PA) pediu vistas e adiou a votação em duas semanas. O pedido de Barbalho foi reflexo direto da decisão da Executiva de se colocar contra a proposta. Embora este posicionamento tenha sido da maioria, a decisão dividiu o partido entre os aliados de Sarney e os de Renan.