loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
domingo, 25/01/2026 | Ano | Nº 6147
Maceió, AL
28° Tempo
Home > Política

Política

MAIS DE 100 VEÍCULOS DO SAMU APODRECEM EM ‘CEMITÉRIOS’ DA SESAU

Deputados querem recuperação de ambulâncias para municípios, mas governo promete leiloar as sucateadas

Ouvir
Compartilhar
Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no Whatsapp
Imagem ilustrativa da imagem MAIS DE 100 VEÍCULOS DO SAMU APODRECEM EM ‘CEMITÉRIOS’ DA SESAU
-

Em meio às investigações por órgãos federais e estaduais de fiscalização e controle a respeito das denúncias de supersalários, plantões milionários fantasmas, empreguismo de vereadores, secretários municipais e até de articuladores políticos do governo Renan Filho (MDB) lotados em hospitais da rede estadual, o mais novo suposto escândalo da Saúde estadual envolve mais de cem veículos públicos, a maioria ambulâncias seminovas do Serviço Móvel de Atendimento de Urgência (Samu). Todos condenados a apodrecer em dois cemitérios de carros. Os “cemitérios” ficam no terreno do Laboratório da Indústria Farmacêutica de Alagoas (Lifal), no distrito industrial do Tabuleiro do Martins, que está sendo desativado. O outro, numa área escondida na zona rural do município de Rio Largo, no pátio de uma antiga destilaria - atualmente desativada -, distante 35 quilômetros de Maceió. Os deputados vão encaminhar o caso aos órgãos de fiscalização e controle.“Alguns veículos poderiam ser utilizados por prefeituras pobres. Bastava recuperar, fazer troca de peças entre as ambulâncias em melhores condições e colocá-las para atender a população”, sugere um dos funcionários da saúde estadual que conhecem a situação das viaturas desprezadas e condenadas. O cemitério de Rio Largo fica numa área distante do centro urbano. Na entrada do imóvel há dois prédios que antes eram escritórios da destilaria, depois abrigaram órgãos do Ministério da Saúde de combate a endemias e foi garagem dos carros fumacê. Também serviram como depósitos de veículos e de equipamentos da Fundação Nacional do Índio (Funai). Hoje, os locais abrigam o depósito de hipoclorito que a Sesau distribui às prefeituras para tratamento de água transportada por caminhões-pipa. A maioria dos servidores públicos federais e estaduais que trabalham no local afirma que “é uma vergonha e dinheiro público virando lixo, pois as viaturas poderiam ser reaproveitadas ou serem leiloadas como sucata. Antes de chegar ao local, a Gazeta parou em oficinas mecânicas do município. Quando perguntávamos onde é o “cemitério do Samu”, além de indicar, os mecânicos reagiram. “É fácil chegar lá. No local tem dezenas de ambulâncias seminovas abandonadas. Falta competência até para vender as viaturas mais antigas como sucata. Uma tristeza!”. O acesso ao cemitério das ambulâncias é pela zona rural. As imagens da quantidade de ambulância impressionam. A imprensa é impedida de entrar no estacionamento da antiga destilaria. Os vigilantes recentemente impediram também deputados estaduais e vereadores de entrarem no pátio onde as ambulâncias estão abandonadas. Um dos vigilantes explicou que “a ordem é não deixar ninguém entrar sem autorização expressa do secretário [estadual de Saúde] Alexandre Ayres”. Ele confirmou que algumas viaturas estão com pneus em boas condições, sistema elétrico, ar-condicionado funcionando. A maioria tem problemas mecânicos no motor e outras têm falhas mecânicas nos componentes de tração e de direção. “As peças que estão em boas condições poderiam substituir as danificadas de outras viaturas. Condenaram os carros e mandaram para cá. Aqui acontece o que a gente vê: tudo se acaba lentamente. É triste. Mas, o que fazer?”, questionou o vigilante.

FISCALIZAÇÃO

O deputado Cabo Bebeto (PTC) também foi barrado. Ele citou as condições de algumas viaturas atuais. “Dos poucos veículos da frota, alguns não podem passar de 60 km por hora porque estão com pneus carecas, equipamentos quebrados. Uma vergonha, não por culpa de condutores, médicos, enfermeiros ou dos socorristas que trabalham. Falta gestão”. O parlamentar conhece os dois cemitérios: o de Rio Largo e o do Distrito Industrial, onde funcionava o Lifal. “Alguns veículos são seminovos. Estão sem placas”. Bebeto evitou confronto com os vigilantes. “Oficializei o pedido para entrar nos locais. A Secretaria de Saúde infelizmente não respondeu. Os vigilantes cumpriram o que mandaram: não permitiram o meu acesso”. A Secretaria de Saúde informou ao deputado que os veículos têm problemas mecânicos e serão leiloados. Não definiu quando. “Para a gestão da saúde estadual e do governo de Alagoas, quanto pior, melhor. Quanto mais ambulâncias condenadas, mais dinheiro vai chegar para aquisição de outras. Uma falta de zelo e respeito com os recursos públicos”, diz Bebeto. Outro fiscal da gestão Renan Filho (MDB) e do secretário Alexandre Ayres é o deputado Davi Maia (DEM), que formalizou denúncias aos órgãos federais e estaduais de fiscalização e controle sobre supostas irregularidades na gestão da saúde. As investigações estão em curso. Encaminhou também à Comissão de Saúde da Assembleia mais de mil documentos a respeito da suposta utilização indevida do dinheiro público para pagamento de supersalários, de plantões fantasmas, de salários de vereadores, secretários municipais de Saúde e funcionários da articulação política, lotados em hospitais públicos sem, segundo o deputado, efetivamente trabalharem. Ele fará uma visita aos cemitérios do Samu. Em nota, a Sesau informou que 19 ambulâncias reguladas pela Central Macro I estão operando normalmente e que, atualmente, nove Unidades de Suporte Básico (USB) reservas e três USBs de Bases Descentralizadas estão em manutenção periódica. Esclarece que esses veículos em manutenção não afetam os serviços de atendimento do Samu Alagoas.

Relacionadas