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AMA E DEPUTADOS COBRAM CAMINHÕES-PIPA PARA SOCORRER SERTANEJOS

Comissão Estadual de Defesa Civil suspendeu a contratação de pipeiros e Exército só manterá o serviço até o dia 20 deste mês

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seca no sertao 

FOTO: FELIPE BRASIL
seca no sertao FOTO: FELIPE BRASIL -

Para mais de 300 mil sertanejos da zona rural, o governo Renan Filho (MDB) chega ao fim de forma melancólica, afirmam deputados, prefeitos e lideranças rurais. Os agricultores familiares esperaram quase três anos por sementes, que chegaram no final do período invernoso. Apesar da água em abundância do Canal do Sertão e do rio São Francisco, 42 municípios em situação de emergência, por falta de sistema de água da Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal), tiveram a confirmação de que a Comissão Estadual de Defesa Civil cortou a contratação de caminhões-pipa. Para piorar, o Exército mantém carros-pipa até 20 de outubro. Os gestores preveem o caos e leva a Associação dos Municípios, a Assembleia Legislativa, as câmaras Federal e Municipais para pressionarem os governos estadual e federal. Como o Executivo estadual não se mobiliza, pelo contrário, desmobiliza, a pressão tem sido para que o presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP/AL), consiga convencer o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) a manter os carros-pipa em regiões do semiárido nordestino carentes de rede de abastecimento de água, particularmente nos 42 municípios alagoanos. O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Marcelo Victor (Solidariedade), mantém contatos com o governador e com o presidente da Câmara Federal em busca de solução para matar a sede dos sertanejos. Ele confirmou à Gazeta a preocupação do Poder Legislativo. “Na zona rural não tem sistema de abastecimento de água. A população depende dos caminhões-pipa. Nem todas as prefeituras têm condições de garantir o abastecimento. A Defesa Civil cortou a operação pipa e o Exército também anunciou a suspensão. Precisamos resolver”, afirma o presidente da ALE, que é pragmático e quer solução. O líder da oposição, deputado Davi Maia (DEM), afirmou que o descaso com o sertanejo completa oito anos. “Não houve investimento no sistema de abastecimento de água, as poucas obras que fizeram se arrastaram por anos”, afirma. Como exemplo, o deputado citou o caso do Canal do Sertão, que tem uma vazão de 36 metros cúbicos por segundo e mais de 100 quilômetros subaproveitados. “O corte dos caminhões-pipa da Defesa Civil marca um fim melancólico da gestão estadual para o desenvolvimento do semiárido. O governador está preocupado com obras que dão like, curtidas nas redes sociais para impulsionar a campanha eleitoral dele”, diz Maia O deputado adiantou que vai cobrar da Defesa Civil explicações e estratégias para socorrer a população rural. O deputado Gilvan Barros Filho (PSD), que raramente se envolve nas questões polêmicas contra o Executivo estadual, destacou o drama dos 300 mil sertanejos e cobrou “um olhar especial” para os agricultores familiares. Segundo ele. “o Sertão e o Agreste têm tido períodos chuvosos bons, porém a estiagem é sempre longa. Enquanto não houver um sistema de abastecimento, muita gente precisa dos carros-pipas”. O deputado defende bom senso e diálogo entre os poderes para socorrer os sertanejos. Uma das maiores lideranças políticas e profundo conhecedor das condições climáticas do semiárido nordestino, o deputado Inácio de Loiola (PDT) afirma que “não tem cabimento discutir caminhões-pipa numa área do semiárido nordestino que tem água em abundância”. Porém, reconhece que o governo atual e os anteriores não se preocuparam em construir um sistema eficiente para atender a população rural. Diante da desarticulação das operações da Defesa Civil e do Exército, o parlamentar afirmou que as famílias da zona rural estão abandonadas. Mais de 40 municípios em situação de emergência por falta de água. “Sem a presença dos governos federal e estadual, teremos uma tragédia para mais de 300 mil sertanejos. Lamentavelmente é isso”. Outra liderança sertaneja, a deputada Ângela Garrote (PP), disse que o município onde tem base política - Estrela de Alagoas - depende de caminhões-pipa. “Depois de o governo estadual suspender os caminhões da Defesa Civil e depois de os prefeitos receberem a informação de que o Exército também suspenderá a operação pipa, liguei para o presidente do meu partido e presidente da Câmara Federal, deputado Arthur Lira, pedi para interceder em favor do semiárido”. Esta semana, a deputada esteve duas vezes com o governador e cobrou solução.

AMA

Os prefeitos dos 42 municípios em situação de emergência decretada pelo governador Renan Filho (MDB) por causa da seca terão de superar as dificuldades financeiras municipais e conseguir recursos para fretar caminhões-pipa. A Comissão Estadual de Defesa Civil não vai mais fretar cerca de 150 pipas como o governo prometeu no semestre passado, para somar aos mais de 100 caminhões do Exército que fornecem água para 600 povoados das zonas rurais. A partir deste mês a temperatura aumenta e a pouca água armazenada nos açudes e barragens evapora. A maioria dos gestores acredita que o governo estadual retornará com caminhões-pipa. O Canal do Sertão atende, parcialmente, áreas urbanas. A zona rural é dependente dos pipeiros. A Defesa Civil financeiramente está desarticulada. No ano passado, teve orçamento de R$ 10.072.935,00. Este ano, o governo cortou para R$ 2.989.873,00 e para o próximo ano destinou apenas R$ 326.096,00, o que é insuficiente até para o custeio da máquina administrativa. Para não comprometer a imagem do governo, o coordenador da autarquia, coronel Moisés Melo, justificou: “A gente estava fazendo uma operação em duplicidade com o Exército. Agora, ficará tudo por conta do Exército”. Desde o ano passado, a Defesa Civil suspendeu a operação “Água é vida’’. O presidente da AMA, prefeito de Cacimbinhas, Hugo Wanderley (MDB), disse que os prefeitos já fazem o trabalho de auxiliar em relação às operações abastecendo as comunidades que não integram os pontos da operação Pipa e Água é Vida. “É uma missão impossível para os municípios, por conta própria, dar manutenção a toda essa estrutura A Operação Pipa, segundo Hugo Wanderley, é competência do governo federal. Ao defender o governo de Alagoas, ele explicou que o Estado, em outros momentos de omissão federal, aportou recursos próprios para manter esse serviço para as pessoas. “E neste momento, caso o governo federal mantenha essa decisão de suspensão no dia 20 de outubro, nós vamos procurar o governador Renan Filho”.

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