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EMPRESÁRIOS DO SETOR HOTELEIRO QUEREM EXPLICAÇÕES DA DIREÇÃO DO PORTO

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Entre a maioria dos empresários do turismo também há muitas dúvidas. Eles acreditam que a vocação do setor no Estado vive um dos melhores momentos e deve ser preservada. O Porto de Maceió faz parte de um equipamento estratégico para os segmentos do turismo. Tanto que a administração portuária está entregando ao setor um terminal de receptivo para passageiros que chegam ao Estado pelos cruzeiros. Os empresários da rede hoteleira observam que Maceió não tem vocação para desenvolver, agora, um porto focado no modelo industrial petrolífero. A Associação Brasileira da Indústria Hoteleira (ABIH/AL) contabiliza mais de 200 hotéis no Estado, a maioria em Maceió. Os estabelecimentos filiados à entidade geram mais de seis mil empregos. O presidente da Abih/AL, André Santos, encaminhou ofício à administração do Porto solicitando explicações sobre a implantação da empresa que funcionará como centro de distribuição de petróleo. “O que sabemos é que, nessa fase de implantação, não haverá impacto negativo para rede hoteleira, porque haverá movimentação de equipamentos, de pessoal, de insumos para as plataformas e nada de petróleo no porto. O movimento de pessoal não atrapalha a indústria hoteleira. Pelo contrário”. Santos avaliou que o porto está mal localizado na cidade de 1,2 milhão de habitantes. “O porto deveria abrigar um novo bairro com a integração do turismo, como acontece em outras cidades onde, na área portuária, tem shopping, hotéis, estabelecimentos comerciais, equipamentos de lazer público e de diversão, terminais receptivos e outros equipamentos para ser outro produto”. Na avaliação da Abih. Maceió não tem mais como se tornar uma cidade industrial no modelo petrolífero. “A vocação é o turismo”, destacou André Santos. A superintendente do Convention & Visitor’s BBureau, Danielle Novis, também desconhece o funcionamento da Maceió Offshore Logística no porto e não esconde as preocupações. “Recebemos navios da Europa e de outros continentes. Essa operação esteve suspensa por conta da pandemia do coronavírus e agora é retomada”. Com relação à implantação da empresa petrolífera no mesmo local onde está também o terminal receptivo, Danielle Novis tem opinião semelhante à dos empresários do setor. “A implantação dessa central de petróleo deve ser mais bem estudada. Imagino que os envolvidos com esse negócio devem ter discutido a importância das duas atividades [petróleo e turismo]”. O setor hoteleiro hoje é um dos maiores contribuintes de ISS (Imposto sobre Serviços de Maceió). No próximo encontro do Trade turístico com as autoridades estaduais e municipais, um dos principais temas será a cobrança de explicações a respeito da implantação do centro de distribuição de petróleo no porto. Os empresários querem conhecer os estudos de impacto ambiental; funcionamento da empresa em curto, médio e longo prazo; e os planos de segurança. Com relação ao turismo no momento, Danielle destacou o aumento da procura de Alagoas com destino de verão. A ocupação hoteleira para Natal, Réveillon e Carnaval está praticamente esgotada. Preocupa o setor o problema da infraestrutura como serviços de água, esgoto e transportes nos principais polos de atração de turismo nacional e internacional. “É necessária uma articulação entre governos estadual e municipais para que a entrega seja coerente com o que foi oferecido para os turistas nos segmentos de saneamento, limpeza, segurança e serviços. Essa cadeia precisa estar bem sincronizada para fidelizar o turista”, ressaltou. No Turismo de Negócio, um dos equipamentos mais importantes é o Centro de Convenções Ruth Cardoso. As obras de ampliação estão paradas há dois anos. O secretário de Infraestrutura, Maurício Quintella, apresentou aos empresários do trade um projeto de retomada que deve ser entregue em julho de 2022. O secretário prometeu entregar também o mirante onde seria construído o marco referencial do turismo. O projeto foi modificado, ficou mais simples e deve ser concluído entre dezembro e janeiro.

Até os jangadeiros da Pajuçara temem a implantação de empresa petrolífera no Porto. “Querem transformar o porto numa bomba e todo Maceió correrá risco”, lamentam os jangadeiros, que não querem seus nomes publicados. AF

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