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Alagoas quer f�brica de avi�es portugueses

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Alagoas poderá abrigar a primeira fábrica de aviões com tecnologia portuguesa. Os entendimentos já estão bem avançados. A localização da indústria também está definida: se não houver entrave político-econômico do governo federal, o governo de Alagoas garantiu aos empresários portugueses que o empreendimento poderá ser instalado numa área do Tabuleiro do Martins, nas imediações do Aeroclube de Maceió. A própria pista do Aeroclube servirá para teste dos aviões. O maior empecilho para a construção da fábrica de aviões é de ordem política. Os investidores e autoridades alagoanas temem que a Embraer, que já deixou o mercado de aeronaves leves e de pequeno porte há mais de 10 anos para ser dedicar à fabricação de aviões de médio e grande portes, promova gestões em Brasília para impedir a instalação deste projeto no Brasil. Mas as hipóteses levantadas por empresários portugueses e autoridades alagoanas, por enquanto, não têm o menor fundamento. De qualquer forma, o assunto ainda é tratado com muita discrição pelas autoridades alagoanas. Porém, a Procuradoria Geral do Estado já estuda a viabilidade legal da instalação do empreendimento, da localização do projeto e dos impactos econômicos. O estudo foi encomendado pelo próprio governador Ronaldo Lessa (PSB). Os entendimentos, apesar de não estarem totalmente concretizados, estão bem adiantados. Na recente viagem que Ronaldo Lessa fez a Portugal assinou com o presidente da Motorávia, João Morgado, uma carta de intenções ? materializando os contatos, até então informais. Como contrapartida, agora de forma oficial, o Estado se comprometeu em ajudar a identificar a área logística do empreendimento. Até o final da primeira quinzena de maio, chega ao Estado uma delegação de empresários investidores da Motorávia para assinar os termos protocolares visando à concretização do empreendimento. Mercado O que chamou a atenção dos empresários portugueses para investir no País, a partir da construção de uma base na capital alagoana, foi o fortalecimento do agronegócio brasileiro. O setor nacional passou a comprar aviões de pequeno porte para atender empresários e aos projetos agrícolas. Além disso, os europeus querem aproveitar também o crescimento do consumo do mercado norte-americano, que aconteceu depois do atentado de 11 de setembro de 2001, quando os empresários passaram a evitar os aviões comerciais e começaram a investir também nas companhias de táxi aéreo e na compra de aeronaves pequenas. O que atrai os compradores é o custo, algo superior a 100 mil dólares, pouco mais que um veículo de alto luxo. Nos últimos anos, o mercado nacional de aviões de pequeno porte se tornou alvo da cobiça de empresas internacionais. Investimentos O secretário de Desenvolvimento Econômico, Arnóbio Cavalcante Filho, confirmou à GAZETA DE ALAGOAS que os entendimentos têm a finalidade de garantir que a fábrica fique na área do Aeroclube de Maceió. ?Os investimentos iniciais são da ordem de 25 milhões de dólares. Os empresários demonstraram ter os recursos e têm interesse em investir em Alagoas por causa, também, do crescimento do consumo no mercado interno?, disse o secretário. O início desta transação está sendo acompanhado de perto pelo diretor de Investimento e Marketing do Banco do Nordeste, Victor Samuel, que inclusive presenciou a assinatura da carta de intenções em Portugal entre empresários e autoridades alagoanas. Mas para a materialização do negócio serão necessárias gestões políticas do governador Ronaldo Lessa junto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os empresários aceitam investir no Estado, porém Alagoas também terá de entrar com sua contrapartida na construção de infra-estrutura. Estes investimentos dependem de financiamento do Banco do Nordeste e de outras instituições oficiais. O Estado, por sua vez, quer aproveitar um novo momento de abertura da política de incentivos e retomar a política de investimentos em novos arranjos produtivos que ajudem a fortalecer a economia, destacou o secretário Arnóbio Cavalcante. ?Na carta de intenções, o governo de Alagoas assumiu a localização da fábrica, já que os empresários da Motorávia exigiram que o empreendimento estivesse perto de uma pista para os testes de suas novas aeronaves?. O mercado de aeronaves de monomotores de dois e quatro lugares cresceu 20%. Para atender à demanda do mercado interno, o Brasil teve que importar, no ano passado, cerca de quinhentas unidades de aviões leves?, destacou o secretário.

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