Política
PP E PSB ENFRAQUECEM MDB DOS CALHEIROS E QUEREM O GOVERNO
Antônio Albuquerque, JHC, Jó Pereira, Marcelo Victor, Paula Dantas, Rodrigo Cunha e Lessa aparecem como pré-candidatos para 2022
No xadrez político de Alagoas, dois temas movimentam os bastidores: o primeiro é a expectativa do nome do “governador-tampão” para substituir Renan Filho (MDB), que deve renunciar ao mandato em abril para participar das eleições gerais do próximo ano. O outro tema é o crescimento da força dos grupos políticos como o PP do presidente da Câmara Federal, deputado Arthur Lira, e o do PSB do prefeito JHC. Esses dois partidos enfraqueceram o MDB da família Calheiros na capital e no interior e costuram candidaturas majoritárias para 2022 e governo-tampão.
Os progressistas esperam a renúncia do governador Renan Filho em abril para marcar posição. Os parlamentares do PP também aguardam definições do comando partidário e sustentam a tese de costurar uma candidatura forte para derrotar o MDB. Os Calheiros “dominam” 36% das 102 prefeituras alagoanas. Porém, enfrentam a insatisfação até da própria base aliada e correm o risco de “virar areia” depois que o governador renunciar, apesar do “derrame” de obras eleitorais e promessas de recuperação salarial para os servidores públicos, admitem aliados e oposicionistas que preferem anonimato.
Neste momento, as articulações políticas são fortes nos corredores da Assembleia Legislativa, porque os 27 deputados votarão, internamente, no governador-tampão. Os nomes mais cotados nos últimos dias são os do presidente do Poder, deputado Marcelo Victor (Solidariedade), que tem trânsito no PP e MDB, e do deputado Paulo Dantas (MDB). Como o partido dos Calheiros ainda não tem o nome do candidato majoritário para 2022, Dantas, se for eleito governador tampão, poderá disputar inclusive a reeleição de governador no cargo.
Entretanto, cresce a rejeição ao governador Renan Filho e ao projeto dele de eleger secretários estaduais [da Saúde, Alexandre Ayres; de Segurança, Alfredo Gaspar; da Educação, Rafael Brito; de Infraestrutura, Maurício Quintella, entre outros]. Os deputados acreditam que o nome do futuro governador tampão dependerá das estratégias do PP, do PSB, PSDB, do DEM e MDB. Os dois deputados cotados conversam muito com os caciques dos partidos. O líder do governo no Legislativo, deputado Silvio Camelo (PV), não discute o futuro político do MDB. “Sou líder do governo na Assembleia. Sou de outro partido, não posso e não devo falar a respeito do futuro do MDB”, frisou. Já o deputado Tarcísio Freire (PP) e outros quatro deputados do partido aguardam definições de Arthur Lira. O MDB, com seis deputados, tem a maior bancada do Legislativo e parte da bancada anda insatisfeita com o Executivo.
JHC
O núcleo forte de sustentação do prefeito da capital, motivado pelas pesquisas eleitorais, quer manter PSDB, PSB, DEM e PDT unidos para tentar composição com o PP e daí tirar uma possível candidatura majoritária das eleições estaduais. As pesquisas e os bastidores apontam para três pré-candidaturas do grupo: a do próprio prefeito JHC, que ainda não admite tal possibilidade; seguida da suposta candidatura do senador Rodrigo Cunha (PSDB), que enfrenta dificuldades para ganhar densidade político-eleitoral; e do vice-prefeito Ronaldo Lessa [presidente do diretório estadual do PDT]. Lessa já foi prefeito uma vez e governador por dois mandatos e é o único, no momento, que não assume a participação do processo eleitoral do próximo ano. O prefeito JHC não gera expectativa no grupo. Numa rápida entrevista à Gazeta, recentemente, ao ser questionado como via o nome dele aparecer junto com o do senador Rodrigo Cunha nas pesquisas para a disputa ao governo do Estado respondeu: “Bom. Meu grupo político tem dois nomes cotados para as eleições majoritárias do próximo ano, mas eu sou prefeito de Maceió!”. No balanço que fez da gestão, JHC revelou que tem conseguido manter em dia os compromissos de campanha, sobretudo resgatando dignidade nas áreas mais pobres. Ressaltou o foco dos secretários municipais em melhorar a qualidade da Educação com novos projetos, da Saúde, Assistência Social e na Infraestrutura da cidade. A orientação é para os secretários deixarem os gabinetes e irem para a linha de frente dos projetos, manter contato direto com a população e prestar contas regularmente da gestão. Nos bastidores, há quem diga que a amizade de Lessa com os Calheiros gera desconfiança no grupo do prefeito e isso seria um dos impedimentos de JHC disputar o governo estadual. Os aliados mais próximos do prefeito, como o deputado Davi Maia (DEM), além de não confirmar as especulações contra o vice nem a candidatura de JHC, diz que “o prefeito vive o melhor momento da carreira política dele e está focado na gestão”. Ronaldo Lessa, ao ser questionado sobre a possível participação nas eleições do próximo ano, demonstra fidelidade e conexão com os aliados. “O meu futuro político está ligado ao grupo a que pertenço, que tem dois nomes em condições de disputar as eleições majoritárias do próximo ano: JHC e Rodrigo Cunha”.
ALE
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Enquanto isso, na Assembleia Legislativa, além dos nomes cotados como pré-candidatos a governador tampão [deputados Marcelo Victor e Paulo Dantas], o deputado Antônio Albuquerque (PTB), sem apoio dos colegas e de grandes partidos, sustenta a candidatura ao governo do Estado. “Serei eleito com o apoio das famílias, dos agricultores, dos trabalhadores rurais, das cidades e sem aliança com os grupos que dominam a política alagoana”. Albuquerque está no sétimo mandato de deputado estadual, é pai do deputado Federal Nivaldo Albuquerque (líder do PTB na Câmara) e do secretário de Estado do Trabalho e Emprego, Arthur Albuquerque, ambos cotados como pré-candidatos nas eleições. A deputada Jó Pereira (MDB) tem a simpatia de prefeitos, vereadores, de líderes políticos como o presidente do PP, do deputado Arthur Lira, mas sofre rejeição de colegas de parlamento, sobretudo os do núcleo íntimo dos Calheiros. A deputada tem se posicionado contra a política de discriminação do governo na distribuição de obras supostamente eleitoreiras, que, segundo o deputado Davi Maia, beneficiam os gestores simpáticos aos projetos políticos do governo. Isso faz aumentar a rejeição contra a deputada, que, por enquanto, é candidata à reeleição. De qualquer forma, as pré-candidaturas estão longe de definições, e novos nomes trabalham nos bastidores. A oposição e partidos de esquerda acompanham a movimentação para se definirem.