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MST ocupa fazendas no Vale do Munda� e pressiona Incra

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ARNALDO FERREIRA O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) volta à ofensiva e, desta vez, ocupa duas fazendas no Vale do Mundaú. Cerca de 150 famílias tomaram a Fazenda Bolo, no município de Murici. Outras 100 famílias ocuparam a Fazenda Santa Maria, na zona rural do município de União dos Palmares. Um dos coordenadores estaduais do MST, José Carlos da Silva, confirmou que as ocupações têm o objetivo de pressionar a Superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra/AL) a acelerar a reforma agrária em terras que há cinco anos esperam pela desapropriação. A Fazenda Bolo é reivindicada desde 1999 pelas famílias do MST e esta é a sexta ocupação da área. ?Resolvemos ocupar para chamar a atenção do Incra, que já fez a vistoria do imóvel. A vistoria só tem validade por um ano, já venceu o prazo de validade da última vistoria e o imóvel ainda não foi desapropriado, como prometia a Superintendência do Incra?, desabafou José Carlos da Silva. Com relação à Fazenda Santa Maria, a direção do MST também confirmou que há cinco anos o processo de desapropriação do imóvel está parado na burocracia do Incra. Ameaças Na próxima segunda-feira, representantes da coordenação nacional e estadual do MST estarão em Maceió para tentar duas audiências: uma com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/AL) e outra com o secretário de Defesa Social, Robervaldo Davino. Segundo José Roberto da Silva, da coordenação nacional do movimento, seis militantes do MST do Agreste, entre eles três dirigentes da comissão estadual ? Paulo Vieira, Marcos Alves e Maria do Ó ? estão sendo caçados por pistoleiros que invadem acampamentos e assentamentos à procura das lideranças. Os outros três nomes de agricultores do movimento, supostamente ameaçados, não foram revelados, por questões de segurança. ?As seis pessoas ameaçadas de morte integram o mesmo grupo de militantes ligados a Luciano Alves, que era conhecido como ?Grilo?, assassinado no dia 7 de setembro, numa área rural de Craíbas?, lembrou José Roberto, acrescentando que ?Grilo? era um dos coordenadores do acampamento Rendeiras, também em Craíbas. Educação As lideranças estaduais do MST aproveitaram a presença da imprensa, ontem, para cobrar do secretário da Educação, Maurício Quintella, o pagamento de 50 professores que trabalham nos assentamentos com projetos de alfabetização de crianças e adultos. O pagamento dos professores, na verdade, não será feito pelo governo estadual. ?Os professores estão com os salários atrasados há 10 meses. O governo federal já liberou os recursos, mas o pagamento só poderá ser feito depois que a Secretaria de Educação assinar o convênio com o MST?, ressaltou o coordenador José Roberto. Segundo ele, o governador Ronaldo Lessa teria se comprometido a assinar o convênio. ?A demora ocorre por causa da burocracia da Secretaria de Educação?, disse. O superintendente do Incra/AL, Gino César, soube que a ocupação de duas fazendas no Vale do Mundaú ocorreu de forma pacífica. Ontem, o superintendente pediu um relatório técnico sobre os dois imóveis e, a partir de segunda-feira, se reúne com as lideranças para discutir a situação. Gino César, há pouco mais de um mês no cargo, está pedindo calma aos movimentos sem-terra. Ele garante que a reforma agrária sairá do papel.

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