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‘PARTIDO DOS CALHEIROS’ ENFRENTA AMEAÇA DE IMPLOSÃO

Fusão do DEM com o PSL pode provocar debandada do MDB em Alagoas, atraindo insatisfeitos com a gestão estadual

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Davi Maia é hoje o único deputado estadual do DEM/PSL, que deverá fortalecer sua bancada
Davi Maia é hoje o único deputado estadual do DEM/PSL, que deverá fortalecer sua bancada -

A fusão dos partidos Democratas (DEM) e o Social Liberal (PSL), que desde o dia 6 passou a se chamar União Brasil, fará a sigla ter a maior bancada também na Assembleia Legislativa de Alagoas. O novo partido reduzirá também o MDB na maioria dos 102 alagoanos. Hoje, o “Partido dos Calheiros” tem o maior grupo de prefeitos, vereadores e a maior bancada no parlamento estadual com seis deputados, confirmam fontes da Executiva estadual, sem revelar números precisos. Os parlamentares e gestores de outros partidos esperam também que o Tribunal Superior Eleitoral conclua a análise da fusão e aprove para promover a debandada geral. Só para se ter ideia do que ocorrerá no Legislativo alagoano, dos 27 deputados 17 admitem nos bastidores a filiação ao União Brasil. Alguns deles são da cúpula da Mesa Diretora do Legislativo, do MDB, e não escondem a insatisfação com a condução da gestão do governador Renan Filho (MDB) e até já fazem críticas abertas no plenário da Casa de Tavares Bastos. Porém, a legislação eleitoral impede a “infidelidade” política antes da desfiliação. Por isso, ninguém assume abertamente o interesse de se filiar à União Brasil antes da definição do TSE. O DEM e o PSL na ALE só têm um parlamentar, o deputado Davi Maia (DEM), que lidera a oposição ao governo estadual e há três anos atua como o fiscal da gestão com denúncias fortes e documentais a respeito de supostas irregularidades na Saúde, Infraestrutura, Educação, nas políticas econômica, de planejamento e de gestão.

PERMANÊNCIA

No MDB, o único que assume abertamente a permanência no partido é o presidente do Diretório Municipal, deputado Galba Novaes, cinco vezes vereador e dois mandatos de deputado estadual e pai do presidente da Câmara dos Vereadores de Maceió, vereador Galba Neto (MDB). Com relação à condução da gestão estadual, ela não fala nem a favor e muito menos contra. Com habilidade, evita fazer juízo de valor a respeito dos sete anos de governo Renan Filho. “Sou um homem de partido”, sustenta. Galba começou a carreira política no PSD, depois da fusão com o PSL migrou para o PRB até entrar no MDB municipal. “Em outros momentos como este de ameaça de debandada, eu disse: se saírem todos permanecerei sozinho, no MDB. Mantenho a mesma posição”. No entanto, ele disse desconhecer projetos de desfiliação de militantes com mandato e que ninguém nunca confidenciou a intenção de deixar o partido. “Não existe segredo entre políticos”, brincou. Entre os emedebistas que aparecem nos bastidores como fora do partido, há a deputada Jó Pereira. Ela é a maior crítica da gestão. Todavia, admite que, nos últimos sete anos, a gestão estadual executou obras necessárias em diversos setores. Avalia, contudo, falhas no planejamento e cobra o funcionamento pleno de novos hospitais, UPAs, execução de obras públicas com qualidade e ações voltadas principalmente para a população que está em situação de vulnerabilidade social [desempregados, trabalhadores informais e os pequenos agricultores]. “As obras são necessárias, são, mas é preciso socorrer neste momento quem está com fome e desempregado”, afirma a deputada. Cotada nos bastidores como uma forte candidata ao governo do Estado, apesar de não ter apoio nenhum do partido dela nem da maioria dos deputados estaduais, Jó Pereira afirma que sua candidatura ao governo de Alagoas até agora não passa de especulação. “Nenhum partido me procurou e nunca recebi nenhum convite para discutir candidatura majoritária”, diz ela. Ao ser questionada se aceitaria o convite, inclusive de outra legenda, a deputada repetiu: “Não posso discutir isso porque não houve nenhuma conversa nesse sentido. Tudo é especulação”. Com relação à permanência no MDB, a deputada não comentou. Porém, alguns aliados próximos revelaram que a deputada não pode sair do MDB neste momento porque há um impedimento legal. Outros partidos de oposição e de aliados ocasionais demonstram interesse na deputada como candidata majoritária. Entretanto, como disse a parlamentar, “oficialmente, não existe nada!”. Outro que estaria de malas prontas para deixar o partido dos Calheiros é o deputado Ronaldo Medeiros. Apesar de desempenhar o papel de defesa do governo Renan e rebater as críticas da oposição no plenário da Assembleia, nos bastidores políticos são fortes os rumores de que Medeiros está para retornar às origens, o PT. Um dos motivos é fortalecer o projeto eleitoral da direção nacional do partido de Luiz Inácio Lula da Silva. O deputado evita discutir com a imprensa o seu futuro político. Os assessores dizem que o deputado está no MDB. Os emedebistas próximos ao governador não acreditam na "debandada geral” de prefeitos, vereadores e muitos menos de deputados como Olavo Calheiros [tio do governador], Ricardo Nezinho e Paulo Dantas. Este último é até cotado como o futuro governador-tampão e provavelmente candidato à reeleição de governador pelo MDB. Por enquanto, tudo é especulação porque os emedebistas não confirmam também a renúncia de Renan Filho em abril para disputar nas eleições de 2022. Apesar de ter maioria na Assembleia, o governador tem angariado a antipatia dos aliados que veem, semanalmente, seus redutos invadidos por caravanas do Executivo com secretários supostos pré-candidatos a deputado estadual e federal nas eleições do próximo ano. Ninguém quer assumir as críticas ao governo porque o momento é de articulação e reagrupar as bases. TSE O DEM e o PSL aprovaram a fusão em convenções realizadas em Brasília, no dia 6. O novo partido se chamará União Brasil e o número será o 44. O Tribunal Superior Eleitoral precisa aprovar a nova sigla. Os líderes do DEM crê que o processo de fusão levará três meses para ser analisado pelos ministros. O presidente nacional do DEM, ACM Neto, admitiu que a fusão levará à formação da maior legenda do País. O processo deve provocar a saída de filiados dos dois partidos, inclusive congressistas. O ministro do Trabalho e da Previdência do governo Bolsonaro e filiado ao DEM, Onyx Lorenzoni, é um deles. Tanto que votou contra a união dos partidos e pediu para que a posição dele constasse na ata da convenção. Apesar das baixas, o União Brasil deve contar com a maior bancada na Câmara dos Deputados. Atualmente o DEM tem 28 deputados, seis senadores, incluindo o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG). Enquanto o PSL tem 54 deputados, dois senadores. Se considerados os números atuais dos dois partidos, a fusão deixaria o União Brasil com um total de 82 deputados. A segunda maior bancada é a do PT, com 53 deputados.

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